convênio na área de laticínios está sendo considerado
Rivais na produção leiteira, duas cooperativas da região Centro-Sul do Paraná, Castrolanda e Witmarsum, nascidas em áreas de colonização holandesa, se uniram para a compra de insumos e a venda da soja produzida por seus cooperados. O convênio começa a vigorar na próxima safra, cujo plantio se inicia em novembro.
O gerente de Áreas Corporativas da Cooperativa Agropecuária Castrolanda, Marco Antonio Prado, uma das mais bem-sucedidas do estado, sediada no município de Castro, prevê um incremento entre 15% e 20% nos volumes comercializados. Na última safra, os 500 cooperados da Castrolanda produziram 110 mil toneladas de soja.
"Eles são maiores, têm maior poder de barganha com fornecedores ou compradores de cereais. Por sermos pequenos, sempre enfrentávamos dificuldades nessa hora", diz o gerente da Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum, Prentice Balthazar Júnior, cuja produção do cereal em 2001/2002 atingiu 15 mil toneladas, 13,6% do volume obtido por sua associada. A cooperativa está localizada na colônia Witmarsum, formada principalmente por imigrantes holandeses, no município de Palmeira.
O contrato, assinado em maio, prevê o fornecimento dos insumos para o cultivo de soja, com exceção de sementes, já que a Witmarsum tem produção própria desse item. Segundo Balthazar, até o final do mês a cooperativa concluirá o levantamento sobre o volume de insumos necessário para a próxima safra.
O interesse da Castrolanda também está no ganho de escala. Além de obter uma taxa de prestação de serviços e a mesma margem de lucro da venda a seus cooperados, a cooperativa de Castro negociará volumes maiores tanto antes do plantio quanto após a colheita. "Os vendedores de commodities precisam se organizar, como já estão organizadas as tradings e as multinacionais de defensivos e fertilizantes", compara Prado.
Depois de superar o bairrismo e manter suas marcas e processos decisórios próprios, três dos principais entraves à união entre cooperativas, Castrolanda e Witmarsum passarão a discutir novos convênios operacionais, preferencialmente nas áreas de suinocultura e leite.
As duas já têm diversas parcerias com outras cooperativas. Há três anos, a Witmarsum entrega sua produção de leite à unidade de Curitiba da central cooperativista Sudcoop, que industrializa e vende os derivados. Junto com a cooperativa Batavo, a Castrolanda integra a Batávia, que fornece leite para Parmalat, Nestlé e Danone. Sua produção de suínos, 240 mil cabeças/ano, é vendida para a Cooperativa Agropecuária Arapoti (Capal).
A associação entre Castrolanda e Witmarsum segue o Projeto de Desenvolvimento do Sistema Cooperativo, lançado em maio pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Na opinião do presidente da entidade, João Paulo Koslovski, a redução de custos e o planejamento estratégico são as melhores formas de crescimento das 62 cooperativas agropecuárias do Paraná, que reúnem 100 mil produtores rurais.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Valmir Denardin), adaptado por Equipe MilkPoint
Cooperativas rivais se aliam no Paraná
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