Cooperativas mineiras mantêm preços apesar da pressão

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As cooperativas de leite da região do Triângulo Mineiro devem registrar prejuízo no primeiro mês do ano. A manutenção do preço do leite pago ao produtor nos níveis registrados em novembro está afetando os custos de várias empresas porque as indústrias estão forçando uma queda nos preços. Apesar da pressão, a maioria das cooperativas optou por manter o valor pago ao pecuarista, mesmo após o início do período de safra. Hoje o preço médio pago ao produtor por litro de leite na região varia de R$ 0,42 a R$ 0,48.

O presidente da Associação das Cooperativas do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Acotrin), Renato Nunes dos Santos, afirma que as cooperativas estão sacrificando os custos para não reduzir ainda mais a rentabilidade dos pecuaristas, que estão pressionados pelo encarecimento da ração e pelo prolongamento da estiagem no fim do ano passado.

A justificativa apresentada pela indústria de que houve um aumento na oferta do produto não é válida, afirma o presidente da Acotrin. "Seguramente não há sobra de leite que justifique uma redução nos preços neste momento", disse.

Mesmo assim as empresas que processam o leite no Triângulo e Alto Paranaíba já estão pressionando pecuaristas e cooperativas. O presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais do Pontal do Triângulo (Coopontal), Marcelo Bernardes Carvalho, conta que, na última negociação com o laticínio, a indústria havia reduzido em R$ 0,03 o preço por litro, o que eliminaria o ganho da cooperativa.

A princípio, a Coopontal conseguiu reverter parte da queda nos preços, mas passou a bancar a diferença para não prejudicar o produtor. A cooperativa, que atua na região de Ituiutaba, revende 100% dos 55 mil litros captados diariamente para indústrias instaladas na região.

O presidente da comissão de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg) do Estado de Minas Gerais, Eduardo Dessimoni, disse que boa parte das cooperativas está enfrentando dificuldades para manter as contas equilibradas. Essas empresas, que há pouco mais de quatro anos captavam mais de 60% do leite produzido no Estado, recebem hoje 40% da produção. A situação, segundo ele, fez com que elas perdessem o controle sobre os preços e o mercado. "A fragilidade é ruim para os produtores, que ficam sujeitos às manobras de mercado realizadas pelas indústrias. A única alternativa para o setor é fortalecer as cooperativas", revelou.

Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Rafael Godoi), adaptado por Equipe MilkPoint
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