Com a crise enfrentada pelas centrais de cooperativas de leite no Brasil, suas antigas filiadas buscam novos caminhos para sobreviver. A solução encontrada pela Cooperativa de Guaratinguetá, por exemplo, foi investir no mercado de marcas regionais. A pequena cooperativa comprou a indústria e a marca da Serramar, ampliando seu portfólio de produtos e sua área de atuação. O objetivo para 2002 é entrar no segmento de iogurtes. Segundo o presidente da cooperativa, João Galvão, a idéia é investir R$ 500 mil no projeto. O produto será lançado com o nome Serramar.
Os planos parecem ambiciosos para uma cooperativa que só faturou R$ 32 milhões em 2001 e conta com 900 cooperados. A idéia não é competir com as grandes do setor, como Parmalat ou Danone, mas focar suas atividades em uma região bem determinada e praticar uma política de preços baixos. Os produtos Serramar custam em média 20% menos que os das multinacionais. "Uma grande companhia conta com custo reduzido e distribuição nacional, porém, isso não significa que uma empresa do nosso porte não possa sobreviver", diz.
Segundo ele, cooperativas pequenas trabalham com uma desvantagem natural de escala, pois têm pouco volume de captação de leite, não podem fazer grandes investimentos em marketing e não contam com excelentes executivos entre seu pessoal administrativo. Porém, podem fomentar uma marca regional com marketing local, que é muito mais barato, e trabalhar com baixos preços. "É um desafio difícil, mas os nichos de mercado podem ser o futuro das pequenas cooperativas", afirma o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo-USP, Luís Fernando Laranja.
Mais produtos
Ao sair da Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo (CCL) em dezembro de 2000, a Cooperativa de Guaratinguetá embolsou R$ 3,4 milhões. Com os recursos, a cooperativa regional pagou R$ 1,4 milhão pela Serramar, que pertencia ao empresário Tadeu Pinto. Além disso, mais R$ 1 milhão foi gasto para transferir os equipamentos de Caraguatatuba, no litoral paulista, para Guaratinguetá, no Vale do Paraíba.
Hoje, a cooperativa capta 95 mil litros de leite/dia. Antes da aquisição, apenas 25 mil litros eram transformados em leite pasteurizado e queijo. Hoje 75 mil litros são industrializados e foram acrescentados ao portfólio de produtos doce de leite, requeijão, manteiga e bebida láctea. A distribuição saiu do Vale do Paraíba para o litoral norte, parte da capital paulista, Pindamonhangaba, Taubaté e São José dos Campos.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Cooperativa de Guaratinguetá foca marcas regionais
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