O contrato de compra e venda de leite in natura, oficializado no ano passado, em Goiás, tem gerado uma certa controvérsia em relação aos seus resultados. O contrato prevê que as indústrias de laticínios de Goiás, que recebem incentivos do Estado por meio dos programas Fomentar ou Produzir firmem um contrato de compra e venda de leite com seus produtores. O objetivo é antecipar os preços, dando ao produtor a possibilidade de planejar melhor sua atividade e assegurar à indústria o fornecimento de matéria prima de acordo com os padrões sanitários estabelecidos.
Segundo Edson Novaes, economista da Faeg e membro do Conselho Deliberativo do Fomentar, os produtores das regiões que firmaram contrato com as indústrias de laticínios tiveram uma melhora na sua remuneração. No município de Santa Helena, por exemplo, os produtores que têm contrato com a Parmalat passaram a receber entre R$ 0,45 e R$ 0,55/ litro. Antes, os preços variavam entre R$ 0,37 e R$ 0,40. Em Firminópolis os produtores têm se organizado em associações para negociar por meio do sindicato com as indústrias. Os preços passaram a R$ 0,46 e de acordo com ele isso tem ajudado, inclusive, a melhorar a organização da cadeia.
No entanto, Alfredo Luiz Correia, executivo do Sindileite-GO, afirma que a alta de preços é independente dos contratos, provocada pelo próprio mercado, "seja porque a bacia produz melhor na seca, ou por causa de vantagens de frete, pela granelização do leite ou por causa da escala". Além disso, de cerca de 500 empresas de laticínios de Goiás, apenas 22 fazem parte do Fomentar e, portanto, estão obrigadas ao contrato. "Com uma demanda maior que a oferta, é natural que os preços estejam mais altos, não necessariamente influenciados pelo contrato". Para ele, o contrato veio mais para formalizar uma relação que até então era informal.
Para a Itambé, que assinou com a Centroleite em dezembro do ano passado, o contrato foi bom para as duas partes. "Nós estamos percebendo que há uma maior parceria, a empresa pode contar com o volume acertado", afirmou Valter Lúcio Teixeira, gerente regional de produção. Luiz Magno, gerente de compra e venda do laticínio Bela Vista, acredita que o maior benefício dos contratos tem sido o conhecimento antecipado dos preços pagos ao produtor. "Eu sempre achei que preço quem faz é o mercado. A vantagem do contrato é que o produtor, agora, sabe antes o quanto vai receber".
A empresas que ainda não aderiram ao contrato terão os incentivos do Governo cancelados. A FAEG afirma que ainda este mês estará conversando com essas empresas para saber os motivos da não adesão e quais providências deverão ser tomadas.
Fonte: Thais de Alckmin Lisbôa, para o MilkPoint
Contrato entre produtor e indústria contribui para organizar a cadeia do leite em Goiás
Publicado por: MilkPoint
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