Consumo interno pode garantir estabilidade ao setor leiteiro

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A meta para 2003 deve ser aumentar a produção de leite e dar vazão a ela, para que não se repita o quadro de 2001, quando a oferta foi grande e puxou os preços para baixo. Segundo o chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Leite, Duarte Vilela, para conseguir estabilidade de preços é necessário investir no aumento do consumo interno.

"O Programa Fome Zero, proposto pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, pode ser um caminho para impulsionar o setor", afirmou. O setor lácteo já está reivindicando a participação do produto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo mínimo de leite per capita deve ser de 150 litros/ano. Vilela explicou que, para atender à necessidade mínima de cada brasileiro, o setor terá de aumentar a produção em pelo menos 25%. De acordo com os dados mais recentes do Cepea/USP, a produção brasileira em 2001 foi de 19,7 bilhões de litros. "Levando-se em conta que o País importou 1,4 bilhão de litros em 2002, teremos de aumentar a produção anual para 27 bilhões de litros, se quisermos atingir o mercado interno".

Para Vilela, o volume importado em 2002 representou um retrocesso para o setor. Ele comentou que só se compara às importações de 1999, quando o Brasil comprou 1,8 bilhão de litros. Em contrapartida, a grande produção de 2001 permitiu ao País baixar este número para 780 milhões de litros. "Prova de que o setor responde rápido às necessidades de mercado".

Mas, segundo Vilela, se o mercado continuar comprando e os preços não caírem, a situação pode piorar. "Parece até contradição falar, agora, em exportar leite, mas é preciso tratar o produto como uma commoditty. Assim, ele terá alguma estabilidade no mercado interno".

Para crescer, depende muito do que o produtor investir agora, ressaltou o chefe da Embrapa. Segundo ele, a inclusão do leite na Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) desponta como outro bom instrumento. "O setor poderá receber empréstimos a juros diferenciados, os EGFs (Empréstimos do Governo Federal), para investir na produção".



Fonte: O Estado de São Paulo/Suplemento Agrícola (por Tatiana Favaro), adaptado por Equipe MilkPoint
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