A pesquisa aponta uma associação entre o consumo de leite de vaca integral (que contém 3,25% de gordura) e menores indicadores de adiposidade em crianças aos 5 anos de idade, além de uma menor probabilidade de obesidade nesse grupo quando comparado àquelas que consomem versões com redução de gordura.
“Embora esse tipo de estudo traga uma análise bastante relevante e seja importante para ampliar o debate, precisa ser interpretado de forma contextualizada. Estamos falando de uma associação observacional, que não considera todos os fatores causais que poderiam estar envolvidos no desenvolvimento da obesidade, como padrão e comportamento alimentar diário, nível de atividade física e aspectos socioeconômicos”, explica Drª Priscila Maximino, nutricionista, mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e especialista em nutrição pediátrica.
O levantamento analisou três pontos principais: a frequência de consumo de leite, o tipo consumido (integral ou com redução de gordura) e possíveis diferenças na composição corporal das crianças. A partir disso, os pesquisadores sugerem que a discussão sobre recomendações nutricionais pode e deve ser mais complexa do que a simples redução de gordura na dieta infantil.
Leite na infância: parte de um contexto alimentar equilibrado
Para além da discussão sobre o teor de gordura, diversos estudos mostram que, quando inserido em um contexto de estilo de vida saudável, o consumo de leite e derivados na infância e adolescência está associado benefícios relacionados a saúde óssea, composição corporal e, potencialmente, desempenho cognitivo.
Ou seja, o leite de vaca segue sendo um alimento relevante na alimentação infantil, especialmente após o primeiro ano de vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o alimento pode ser introduzido a partir dos 12 meses, contribuindo como fonte de nutrientes importantes para o crescimento e desenvolvimento.
Diferentemente de países como Canadá e Estados Unidos, que recomendam o consumo de leite com redução de gordura para crianças a partir dos 2 anos como estratégia de prevenção da obesidade, no Brasil não há uma orientação expressa nesse sentido.
Esse contexto reforça a importância de olhar para a alimentação infantil de forma integrada. “Não existe um único alimento responsável pelo ganho ou perda de peso. O que realmente faz diferença é o padrão alimentar e o estilo de vida da criança como um todo. No entanto, o leite é, sem dúvidas, um importante aliado do desenvolvimento infantil, porque ele tem alta densidade nutritiva”, complementa a Drª Priscila.
A nutricionista também complementa que “muitas crianças e adolescentes apresentam uma ingestão de cálcio insuficiente, cenário associado à redução do consumo de laticínios nessa fase. Nesse contexto, o leite se destaca como o principal alimento fonte de cálcio na alimentação humana. Considerando a rotina corrida das famílias, o leite UHT surge como uma opção prática, segura e acessível para o dia a dia, facilitando o consumo regular e contribuindo para a adequação nutricional.”
As informações são da Priscila Maximino, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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