O presidente do Instituto de Defesa do Consumidor da Nova Zelândia, David Russell, tem acusado a indústria de lácteos do país de manter os preços dos produtos artificialmente altos, prejudicando os consumidores do produto.
O medo que os consumidores seriam prejudicados pela formação da gigante Fonterra, em outubro passado, está se concretizando, disse Russell. "Há apenas um grande fornecedor do produto. Isso não pode ser bom, nem na teoria, nem na prática, para o consumidor da Nova Zelândia", mencionou ele.
Russell ressalta que, enquando o preço dos produtos lácteos caiu cerca de 25% no mercado internacional, o preço do litro do leite aumentou cerca de 50% no mercado doméstico, no ano passado. Segundo ele, isso não é justo para o consumidor do país, uma vez que quando o preço sobe no mercado internacional o aumento também é sentido no mercado doméstico. "No entanto, quando o preço cai, temos que ouvir todo tipo de desculpa para que o preço no mercado interno não seja alterado".
Ele diz ainda que não acredita que a situação venha a melhorar, mesmo com a exigência, por parte do governo, que a Fonterra venda, neste ano, uma das suas duas principais operadoras no mercado doméstico, a New Zealand Dairy Foods, para manter a competição no setor.
Um porta voz da Fonterra, criada pela fusão da New Zealand Dairy Board (NZDB), NZ Dairy Group e Kiwi Co-operative Dairies, afirmou que sempre existe um prazo antes dos preços do mercado doméstico acompanharem as tendências internacionais.
Westland Co-operative Dairy Company
A Westland Co-operative Dairy Company recusou a proposta de fusão feita pela gigante Fonterra. Cerca de 95% dos 335 cooperados votaram contra a fusão com a Fonterra, pelo fato de perderem o controle da empresa. Segundo o presidente da empresa, Ian Robb, a fusão poderia implicar em fechamento de fábricas e redução no nível de empregos na costa oeste do país. Para ele, a Westland exerce grande importância local. Com a fusão com a Fonterra, esta importância seria muito reduzida.
A Westland atravessa hoje um ótima fase, com fábricas grandes e modernas, e uma expansão de uma unidade para fabricação de leite em pó em andamento, no valor de cerca de US$ 25 milhões. Embora seja uma empresa pequena, quando comparada a gigante Fonterra, a Westland movimenta cerca de US$ 83,8 milhões/ ano, o que seria equivalente ao volume total da indústria de exportação de vinhos da Nova Zelândia e a coloca hoje entre as 100 maiores empresas do país.
No entanto, este faturamento a coloca com apenas 2,8% do mercado de lácteos, contra 96% da Fonterra. A diferença fica com a Tatua, uma empresa pequena que produz caseína e que também se mantem independente.
Fonte: Just-food, Dairyaction e Christchurch Press, adaptado por Equipe MilkPoint
Consumidores neozelandeses estão pagando preço alto pelos produtos lácteos
Publicado por: MilkPoint
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