As fusões e consolidações das indústrias de lácteos da América Latina estão gerando um cenário onde encontram-se companhias muito grandes ao lado de companhias muito pequenas. A competição está acirrada tanto no que diz respeito ao preço dos produtos no mercado, como no lançamento de novos produtos.
A recente fusão entre duas das três maiores companhias de lácteos da Argentina levou à criação da maior companhia de lácteos da América Latina. Ao mesmo tempo, as duas gigantes multinacionais européias - Danone e Parmalat - vêm expandindo sua presença nessa região. A consolidação foi uma inevitável conseqüência do aumento da competição.
A italiana Parmalat e a francesa Danone representam uma nova geração de empresas de alimentos com muitas facetas - oferecem produtos lácteos como um dos segmentos entre os diversos produtos alimentícios oferecidos. Essas empresas estão envolvidas em vários setores do mercado, incluindo biscoitos, água engarrafada, condimentos e sucos. Ambas as companhias têm apresentado uma expansão agressiva na América Latina nos últimos anos.
A Danone entrou na América Latina na década de 1970, e vem apresentando crescimentos nessa região, que representam 10% do total no mundo todo. Recentemente, a Danone entrou com uma aliança estratégica com o StarMedia, um portal de internet, líder entre os hispânicos. As duas companhias estão combinando seus recursos para criar um "canal virtual", que visa à promoção da saúde. O público alvo desse empreendimento são os adolescentes, que estão interessados em uma dieta saudável. O site não irá promover somente os produtos lácteos da Danone, mas também, outras linhas de produtos saudáveis.
A Parmalat vem investindo pesado no estabelecimento de fábricas de produção de seus produtos lácteos e sucos na América Latina. Em junho, a empresa completou sua nova fábrica no Peru. A companhia levou adiante seus ambiciosos planos de contrução naquele país, apesar das dificuldades econômicas e climáticas que prevaleceram lá no ano passado. Para justificar esse investimento, o gerente disse que este representa o compromisso permanente com o mercado peruano, que consumiu cerca de 164 milhões de toneladas de produtos lácteos no ano passado, no valor de US$ 600 milhões.
A Parmalat provou seu poder de permanência quando iniciou suas operações no México, logo no início do colapso econômico deste país, em 1995. Depois de dois anos lutando durante a crise econômica, a empresa vem apresentando crescimento nas vendas de leite e sucos de frutas, desde 1997. A Parmalat tem agora uma forte presença no mercado de leite UHT, o qual passou a ter grande aceitação no México e em outros países da América Latina, devido ao seu longo tempo de validade e à sua capacidade de ser estocado.
Empresas regionais lutam para se manter no jogo
Com a expansão agressiva desses gigantes do setor de lácteos na América Latina, as companhias regionais foram forçadas a aumentar suas operações e maximizar seus custos e sua competitividade. As pequenas companhias perceberam que a econonia de escala trabalha contra elas, e que a maioria tem que ser vendida ou fundir-se às companhias grandes. Sendo assim, o setor de lácteos está rapidamente ficando nas mãos dos gigantes europeus e latino-americanos.
O aumento da competição no mercado de lácteos latino-americano está fazendo uma grande pressão nas margens de lucro, forçando as companhias de lácteos mais fracas a fundir-se com outras, ou a abandonar o negócio. As principais armas usadas pelas companhias para competir no mercado são a redução de preços e a extensão dos termos de crédito aos consumidores. Porém, ambas as estratégias dão vantagens às grandes companhias, que têm o capital necessário para absorver esses custos.
Na Argentina, a pressão do mercado levou a líder SanCor a unir-se com a terceira do setor, Milkaut. A companhia resultante - SanCor Milkaut Cooperativa Limitada - é a maior companhia de lácteos da América Latina. Com ganhos anuais combinados de US$ 1,27 bilhões, a companhia está bem posicionada para competir com as multinacionais do setor, tanto dentro do país, como fora. A SanCor exporta seus produtos lácteos a 30 nações.
Novos produtos: chave para a expansão
A maioria das companhias de lácteos líderes na América Latina tem apresentado uma grande expansão na sua linha de produtos nos últimos anos. Entre as categorias de produtos mais populares, estão os congelados, alimentos com sabores de frutas e os iogurtes líqüidos.
Como os iogurtes eram praticamente desconhecidos em muitos mercados latino-americanos até recentemente, as companhias locais e regionais não os ofereciam no mercado. Sendo assim, as multinacionais - principalmente a Danone - construiu uma forte base nesse mercado, antes que seus competidores podussem fazê-lo.
O forte potencial do setor de iogurtes ainda está pouco desenvolvido em algumas nações latino-americanas, como por exemplo, na comunidade dos Andes, onde o consumo desse produto continua bem abaixo do consumo dos outros produtos lácteos. Por exemplo, no Equador, o consumo per capita de iogurte é menor do que 1,2 litro por ano, comparado com o de leite, que é de 9 litros.
Isso demonstra que as companhias líderes mundiais na produção de lácteos não estão desalojando totalmente as indústrias locais. Entretanto, sua presença está transformando profundamente a indústria de lácteos regional, levando à consolidação e às fusões. Fusões como a da SanCor com a Milkaut na Argentina deverão ser repetidas em todo o território latino-americano, proporcionando a combinação das forças, e a maior capacidade de competir com a forte concorrência internacional.
fonte: Just-food.com (por Steve Lewis), adaptado por Equipe MilkPoint
Consolidações e fusões transformam a indústria de lácteos da América Latina
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