Entre as mudanças está a substituição do Resource Management Act (RMA), uma peça-chave da legislação que define como a Nova Zelândia gerencia seu meio ambiente, incluindo solo, água e ar.
O novo arcabouço que substituirá o RMA consiste em dois projetos de lei: o Natural Environment Bill e o Planning Bill, referentes a ações de sustentabilidade e planejamento econômico.
A DairyNZ, uma organização do setor, disse que recebeu positivamente os planos para reduzir complexidade e custos, com maior ênfase no uso de atividades permitidas e planos de fazenda para gerenciar as operações agrícolas.
“O RMA impacta quase todos os aspectos das operações nas fazendas, portanto os produtores precisam de um sistema que ofereça segurança para investir em soluções futuras.”
No entanto, a entidade tem preocupações em relação à proposta atual: “Temos preocupações sobre propostas de limites ambientais rígidos, particularmente para a qualidade da água. Preferimos uma abordagem baseada em resultados em vez de um limite numérico fixo, e estamos analisando de perto a possível introdução de instrumentos de mercado e cobranças pelo uso de recursos à medida que a legislação avança.”
Reforma da tecnologia genética
Outro desenvolvimento significativo é a proposta de regulamentação de tecnologia genética do governo (Gene Technology Bill), que pretende modernizar a forma como a Nova Zelândia regula edição genética e modificação genética.
A organização apoia o esforço mais amplo de reforma e o objetivo do projeto de lei de permitir caminhos mais seguros e mais ágeis para pesquisa e testes em fazendas.
Embora a DairyNZ tenha recebido positivamente as atualizações do comitê, observa que várias de suas principais preocupações ainda não foram resolvidas.
Ela enfatiza que qualquer novo arcabouço deve proteger os produtores, os mercados de exportação e as relações comerciais.
A entidade afirmou que a revisão planejada do novo sistema após quatro anos será importante para ajustar as regras e garantir que o setor primário possa se beneficiar com segurança da inovação em tecnologia genética.
Metas revisadas de metano
Outra área central em mudança é a política climática: em outubro, o governo confirmou uma meta revisada de redução do metano biogênico para 2050 de 14 a 24% abaixo dos níveis de 2017, substituindo a meta anterior de 24 a 47%.
A atualização alinha a meta com as conclusões de uma revisão científica independente sobre metano e com uma abordagem de “sem aquecimento adicional” em relação ao impacto climático do metano.
A DairyNZ afirmou que recebeu positivamente essa revisão, pois ela aproximou a meta do que é alcançável em fazendas reais e reflete melhor o entendimento científico atual.
Os produtores também têm a garantia de que não haverá imposto sobre metano nas fazendas.
Embora as emissões do setor como um todo já tenham caído cerca de 4% desde 2017, a DairyNZ alertou que atingir o limite superior da nova meta ainda exigirá inovação substancial.
Os esforços atuais incluem o programa de pesquisa Emissions4Pasture e trabalhos para aperfeiçoar sistemas de pastagem e alimentação capazes de reduzir emissões sem comprometer a produtividade.
Juntas, as reformas “preparam o terreno” para uma nova fase de crescimento sustentável para o setor que beneficiará os produtores ao mesmo tempo em que se alinha à agenda do governo, disse a DairyNZ.
“O setor leiteiro fez progressos significativos nos últimos anos, fortalecendo seu histórico de gestão dos impactos ambientais e de bem-estar animal. À medida que esses avanços se consolidam, o setor está reforçando sua licença para operar — e sua capacidade de crescer de forma responsável, dentro dos limites ambientais”, afirmou a organização.
“Essas atualizações mostram o setor construindo sobre seus pontos fortes e se adaptando às novas regulações de maneiras práticas e baseadas em ciência.”
Temporada recorde
A temporada leiteira 2024/25 trouxe resultados recordes para o setor leiteiro da Nova Zelândia, com aumento na produção de sólidos do leite apesar de uma leve queda no número total de vacas.
O chefe de economia da DairyNZ, Mark Storey, disse: “Em meio a um ano de aumento de custos, os produtores de leite da Nova Zelândia demonstraram resiliência, mantendo o foco em inovação, investimento e boa gestão.”
O número nacional de vacas caiu 0,5%, para 4,68 milhões, mas a produção total ainda aumentou.
A média de sólidos do leite por vaca atingiu um novo recorde de 414 kg, significativamente acima da média dos últimos cinco anos, de 400 kg. Esse total foi composto por 234 kg de gordura do leite e 181 kg de proteína.
Pela primeira vez, a produção média de sólidos do leite por rebanho ultrapassou 180.000 kg.
As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
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