Desde o México até Ushuaia, toda a América Latina mostra sinais de instabilidade econômica que dificultam as projeções de qualquer exportador cujo principal mercado são os países desta região. Esta é a realidade da Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite (Conaprole) do Uruguai, que tem como foco principal os mercados regionais, apesar de estar apresentando crescimento fora da América Latina.
Segundo o gerente de exportações da cooperativa, Nelson Laurino, as modificações permanentes no tipo de câmbio dificultam a realização de estimativas sobre a evolução que poderá ocorrer nas operações, apesar da Conaprole ainda se manter dinâmica no Brasil e no México, para onde está sendo destinada a maior parte das exportações. Porém, a Argentina, que antes da queda se insinuava como um mercado em crescimento, hoje registra operações "quase nulas".
No entanto, os números que a cooperativa uruguaia vem apresentando no que se refere às exportações são interessantes, principalmente para uma empresa de perfil exportador líquido. No período de agosto a maio de 2001/2002 houve um aumento de 9% no valor total obtido com as exportações, quando comparado com o mesmo período de 2000/2001. Isso é justificado pelo fato de que, neste período, há um ano, o Brasil estava mais instável, e agora, a crise argentina está repercutindo menos, por ser este um mercado menos importante.
Atualmente, outro fator que, segundo Laurino, está sendo pouco significativo, é o processamento do leite em outros países, com a marca da Conaprole. "Esta é uma ferramenta que estamos usando como oportunidade".
Mercado brasileiro melhora
Para o gerente de exportações da Conaprole, o Brasil tem se comportado um pouco melhor no que se refere à compra principalmente de leite em pó e manteiga, e também de um certo volume de leite longa vida. "O problema é que um dia a produção nacional é mais competitiva no Brasil e, em outro, não".
No caso do Brasil, a Conaprole está fazendo negócios com "prazos e exportações normais", sendo que a expectativa para o restante do ano ou para o futuro próximo é que a Argentina, em algum momento, desperte. "Sempre há neste país um nicho para uma marca forte como a Conaprole, porque é um mercado consumidor de lácteos significativo, apesar de ter bastante competição interna devido à grande exportação".
Além do Brasil e do México, a região mostra outros mercados interessantes para a Conaprole, apesar de todos estarem passando por instabilidades, como por exemplo, o Chile, o Paraguai e a Venezuela.
Neste contexto, o restante do mundo vem ganhando importância também. A Conaprole vende produtos aos Estados Unidos e outros mercados, como a Rússia e a Comunidade de Estados Independentes (CEI), para onde se vende manteiga, ou o norte da África, que é comprador de leite em pó.
Conaprole se retira da Argentina
A mudança política e econômica ocorrida na Argentina deixou a Conaprole em inferioridade de condições frente ao setor de lácteos local e obrigou a cooperativa a reestruturar seus negócios, que começaram a funcionar há mais de um ano e meio, com a abertura de uma representação comercial em Buenos Aires. Com a desvalorização do peso argentino, parece ter ficado muito distante o objetivo de faturar US$ 10 milhões por ano no país vizinho e, agora, a cooperativa uruguaia tem cada vez menos presença nas gôndolas dos supermercados argentinos.
A profunda distância entre o peso argentino e o dólar colocou a Conaprole contra a parede e impede a cooperativa de continuar importando suas marcas do país vizinho. Hoje, suas operações se limitam a liquidar o estoque restante. "Quando estes acabarem, teremos que fazer o sacrifício de manter as operações da filial argentina, ainda que seja perdida", disse o responsável pela Conaprole na Argentina, Gonzalo Araujo.
Fonte: El Pais e Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Conaprole: flutuação cambial afeta negócios da cooperativa uruguaia
Publicado por: MilkPoint
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