Com novos países integrando UE, Mercosul terá maior concorrência

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Dez novos países passam a fazer parte da União Européia: Chipre, República Checa, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Eslováquia e Eslovênia. Um evento desse porte, obviamente, suscita apreensões. Os cidadãos da UE temem uma explosão da migração interna, desarranjos econômicos e o custo da conta, entre outras coisas. E, por aqui, a questão é como ficará, à luz da incorporação desses novos países, a já difícil negociação comercial entre o Mercosul e a União Européia.

Haverá vantagens. Embora o peso econômico dos dez países, que se integraram à União Européia, não seja elevado em termos de representatividade do PIB da UE - 6% adicionais -, estimativas indicam que, em dez anos, o uso de cereais crescerá 23%, o de carne bovina, 10%, carne suína, 22%, aves, 27% e 6% de oleaginosas, contabiliza Michel Alaby, presidente da Adebim.

E muitas desvantagens. A integração representará 20% a mais de áreas agrícolas na UE. O que significará, nos próximos dez anos, segundo estimativas da própria Comissão de Agricultura da UE, crescimento de 27% da produção de cereais, 16% de leite, 10% mais de carne bovina, 18% mais de carne suína, 27% mais de carne de aves e 25% mais de oleaginosas. "Com isso cresce a competitividade da agroindústria européia." Além do mais, só no período 2004/2006, os novos estados membros receberão financiamento rural de 5,1 bilhões de euros. Os produtores dos novos países passarão a ter acesso à Política Agrícola Comum e às medidas de proteção de mercado, lembra Alaby.

Para o Brasil e o Mercosul, haverá grande concorrência dos produtos, com destaque ao setor de carnes. "Sem contar os riscos adicionais: haverá excedentes para exportação da UE para os mercados ora abastecidos pelo bloco, sobretudo países do Oriente Médio", alerta Alaby. Em outras palavras, como as negociações do acordo entre o Mercosul e União Européia para uma área de livre comércio prosseguirão dentro desse novo cenário, é preciso reavaliar os riscos apresentados por uma abertura do setor de agronegócios do Mercosul. "Sem contar que os arautos do protecionismo e dos subsídios estarão ainda mais presentes no cenário mundial."

Fonte: O Estado de São Paulo, adaptado por Equipe MilkPoint
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