O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, anunciou ontem, em Curitiba, que a entidade vai se empenhar na aprovação de leis que combatam "a força excessiva" das grandes redes de supermercados nas negociações com fornecedores.
"Hoje os grandes varejistas são os ditadores do agronegócio. Têm um poder comercial extraordinário, que não é justo em uma sociedade liberal e democrática", afirmou De Salvo. Segundo ele, laticínios chegam a dar descontos de até 20% apenas para ter seus produtos nas gôndolas.
O número se aproxima do obtido pelos deputados paranaenses que integram a CPI do Leite da Assembléia Legislativa. Eles apuraram que uma série de descontos exigida pelos varejistas chega a representar até 27% do valor dos produtos lácteos. O presidente da CNA afirmou que o problema não atinge apenas o setor agropecuário brasileiro, mas também os de outros países.
De Salvo previu que, por mais um ano, o agronegócio vai salvar a balança comercial brasileira. As projeções do setor é obter neste ano um crescimento de cerca de 10% em relação a 2001, quando foram movimentados US$ 350 bilhões. "Para isso, são necessários um clima favorável, melhoria dos preços internacionais e redução dos subsídios".
Apesar de elogiar o aumento de recursos para o custeio agrícola na próxima safra, que deverá crescer de R$ 16 bilhões para R$ 24 bilhões, ele criticou a dificuldade enfrentada pelo produtor para ter acesso ao crédito. Segundo ele, 62% dos produtores que tentaram obter financiamentos na safra passada enfrentaram barreiras.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Valmir Denardin), adaptado por Equipe MilkPoint
CNA vai combater excesso de poder de grandes supermercados
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