A Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA Brasil) propõe que as indústrias de laticínios repassem aos produtores o aumento obtido com a venda do leite ao atacado. O crescimento médio entre dezembro e janeiro foi de 14%. No mesmo período houve redução de produção de 5% e uma variação de apenas 1,56% no valor pago ao pecuarista.
Na avaliação do chefe do Departamento Econômico da CNA Brasil, Vicente Nogueira Neto, se a indústria não sinalizar uma melhora nos preços até a segunda quinzena de fevereiro, de modo ao produtor fazer silagem com o milho da safrinha, poderá faltar produto. Os pecuaristas estão desestimulados e, por isso, muitos optaram por liquidar o plantel, reduzir a alimentação dos animais ou introduzir o gado de corte em suas propriedades.
A indústria recebeu em média R$ 0,80 pelo litro de leite em janeiro, em comparação aos R$ 0,70 registrados em dezembro, segundo dados apurados pela CNA Brasil no atacado. No mesmo período, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), o preço pago ao produtor variou de R$ 0,2626 o litro, em dezembro, para R$ 0,2667 no mês de janeiro.
"Voltaremos aos patamares de 2000, quando as exportações eram elevadas, o que significa déficit na balança comercial de US$ 200 milhões", afirma Nogueira Neto. Outra conseqüência seria a perda de mercados para os quais o País exportou no ano passado, como Argélia, Colômbia, Angola, Paraguai e Egito.
Aliado ao preço baixo, houve também aumento no custo de produção: o milho, que em janeiro de 2001 era vendido a R$ 7 a saca, está custando R$ 12, uma variação de 71%. No início do ano passado, os preços estavam remuneradores, havia a euforia provocada pelas medidas antidumping e o pecuarista investiu na atividade. Assim o Brasil produziu 21 bilhões de litros de leite, importou apenas 780 milhões de litros (redução de 57,2% sobre o volume de 2000) e registrou ainda aumento de 81% nas exportações (140 milhões de litros). No entanto, diz Nogueira Neto, o excesso de produção e a diminuição do consumo provocaram, a partir de julho de 2001, uma queda acumulada de 30% nos preços.
Há espaço para a indústria aumentar o preço pago ao produtor sem repassar para o consumidor. "As margens de lucro, para o caso do queijo, são superiores a 100%".
O pesquisador do Cepea/USP, Leandro Ponchio, acredita em redução de oferta, porém no futuro. Hoje, em sua opinião, se o consumo não crescer, será difícil uma recuperação de preços. O centro acompanha as cotações do leite nas principais bacias, "historicamente, os preços só sobem a partir de março, na entressafra", afirma Ponchio.
Fonte: MilkPoint e Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
CNA propõe à indústria que repasse aumento no preço do leite para o produtor
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