CNA prevê maior importação de lácteos

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A importação de leite crescerá em 2002. Esta é a estimativa da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Apenas no primeiro mês deste ano, o Brasil comprou US$ 14,4 milhões em leite, o dobro do mês anterior. Em volume, o valor já está próximo ao do ano passado: 6 mil toneladas de leite em pó frente às 8,2 mil em 2001.

O Brasil vai precisar importar leite porque há queda na produção brasileira. Estimativas da CNA apontam para uma redução no volume da ordem de 10% nos primeiros meses deste ano. Os baixos preços do leite que, entre julho de 2001 e janeiro deste ano caíram até 40%, desestimularam a produção interna.

A entrada do produto argentino, porém, já não é temor para os pecuaristas do Brasil no tocante a uma baixa de preços. O acordo de preço por conta do processo antidumping impede que o leite da Argentina inunde o mercado brasileiro.

"Mantido este quadro, dificilmente o Brasil vai repetir a boa performance de 2001", afirma o presidente da comissão nacional de pecuária de leite da CNA, Paulo Roberto Bernardes. Em 2001, houve redução de 52% no valor das importações de lácteos. No entanto, agora, Bernardes acredita que o Brasil poderá voltar aos valores de 2000, quando foram necessárias importações de US$ 373,1 milhões.

Soro

Outra preocupação dos pecuaristas recai sobre a discussão sobre adição de soro no leite em pó. No dia 27, termina a Consulta Pública sobre o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de Produtos Lácteos. O texto admite a adição de até 50% de soro no leite. Além de não admitirem a colocação de soro, os dirigentes da CNA entendem que, em caso positivo, o produto não deve ser chamado de leite e sim, preparado alimentar.

Segundo dados da instituição, o soro tem apenas 0,7% de proteínas frente às 3,2% do leite. Bernardes diz que a adição significa queda nos valores nutricionais do produto, bem como redução nos custos para as indústrias e, conseqüentemente, menor compra de leite. "O consumidor vai comprar gato por lebre". Após o prazo de consulta pública, o Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, reúne-se com representantes da cadeia para discutir as propostas do regulamento.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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Cosimo Rettl
COSIMO RETTL

OUTRO - PARÁ - EMPRESÁRIO

EM 04/03/2002

Se a Indústria Láctea Nacional, e por extensão os produtores, querem fazer da sua atividade um negócio rentável, competivo e sustentável, é preciso parar de buscar e aderir a soluções esdrúxulas, como adicionar soro ao leite em pó e vender como leite em pó, importar produtos subvencionados sem a devida taxação, vender leite longa vida com teor proteico muito abaixo de um leite vacuno normal (mínimo aceitável é de 3,2%), importar soro sob as várias formas e deixar de industrializar o próprio soro via centrais de aproveitamento, combater as margens e exigências absurdas do comércio, a sonegação, normatizar e tipificar o setor de queijos. Precisamos de ética, profissionalismo, maturidade empresarial e responsabilidade social. Ninguém sobrevive sozinho com qualidade de vida.
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