CNA: consumo de leite pode aumentar 23% com o Fome Zero

Publicado por: MilkPoint

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O lançamento do Programa Fome Zero, com a distribuição de R$ 50 por família para a compra de alimentos, começará a movimentar a comercialização de produtos alimentares no País, mas ainda de forma limitada. Esse valor representa apenas 41,8% do menor valor da cesta básica de alimentos calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), ou R$ 119,39 para o consumo mensal de cada trabalhador, apurada em Fortaleza, no mês de dezembro de 2002.

"Além disso, é importante enfatizar que 49,6% das 44 milhões de pessoas a serem beneficiadas estão na região Nordeste, que responde por apenas 10% da produção nacional de grãos. Será necessário gastar com o transporte de alimentos do Centro-Sul para o Nordeste, bem como substituir determinados produtos da cesta básica por aqueles disponíveis regionalmente", analisou o chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco. O custo da cesta básica de alimentos, apurado pelo Dieese de acordo com o Decreto Lei nº 399/38, que estabelece uma provisão mínima para o trabalhador, considera 13 produtos da cesta.

A implantação do Programa Fome Zero trará um impacto significativo sobre o consumo dos principais itens da cesta básica, segundo estimativa realizada pelo Departamento Econômico da CNA. No caso do feijão, a demanda poderia aumentar até 56%; para o leite, até 23%; para o arroz, até 12%; e para a carne de frango, até 17%, segundo a necessidade quantitativa de alimentos definida pelo decreto-lei 399/38.

Apesar disso, assegurou Pernambuco, é necessário enfatizar que em todos os produtos da cesta básica é possível, a médio prazo, aumentar a produção para atender o acréscimo de consumo gerado por essas mais de 44 milhões de pessoas incluídas no programa. No curtíssimo prazo, porém, caso o novo governo queira atender imediatamente a toda essa população ainda em 2003, a produção será insuficiente, à exceção do óleo de soja e café.

Se no primeiro ano o Fome Zero atender a 9,6 milhões de pessoas, os produtos mais sensíveis serão o leite, feijão e arroz, segundo ele. "O ideal, nesse caso, seria o governo atender ao consumo extra com fortes incentivos ao aumento da produção interna, o que geraria empregos e renda, conforme preconiza o próprio Fome Zero", afirmou.

No caso do leite, o estudo indica que o programa provocaria um aumento inicial no consumo de 1,1 bilhão de litros, o que representa cerca de 5,2% da produção atual. "O País pode responder rapidamente ao acréscimo desse consumo, apesar do aumento de 52% nas importações, para US$ 248 milhões", disse Pernambuco. A implantação integral do Fome Zero aumentaria o consumo de leite em 5 bilhões de litros, o que corresponderia a um incremento de 23% no consumo atual.

Fonte : Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), adaptado por Equipe MilkPoint
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