Os produtos in natura, por exemplo, variaram 6,69%; os semi-elaborados, como carnes, leite e cereais, tiveram aumento de 1,31%. No mesmo período de 2001, a variação também foi positiva, mas bem menos expressiva. No caso dos hortifrutigranjeiros, variou 3,1%, metade da apurada este ano.
Apenas no mês de fevereiro, a alimentação contribuiu com quase 0,20 ponto percentual do IPC-Fipe, que fechou em 0,26%. "O comportamento desse grupo tem sido parecido com o do ano passado, com maior intensidade", afirma o coordenador do índice, Heron do Carmo. "Se este mês repetir o cenário de março passado, a inflação será forte", diz ele, ressaltando que a expectativa é de estabilidade.
Em março de 2001, os produtos in natura subiram 4,29%; e cereais, 5,5%. Já este ano, os principais responsáveis pelo preço maior dos alimentos semi-elaborados não foram o arroz e o feijão, mas os leites, em especial, o longa vida. Apenas em fevereiro, variou 10,23%, pesando 0,09 ponto no IPC-Fipe.

Mas, a curto e médio prazo, inflação não é um temor maior, segundo o economista da MB Associados, Fabio Silveira. A primeira prévia de março do Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirma esta tendência. Não fosse o aumento no preço dos ovos, de 16,93% no atacado, o Índice de Preços ao Atacado (IPA), que compõe o índice geral, teria deflação, entre 21 e 28 de fevereiro. No IGP-M, que fechou a 0,17%, os ovos responderam com 0,12 ponto percentual.
"A pressão dos alimentos não foi decorrente de restrição da oferta de grãos; foi uma inflação de hortifrutigrangeiros, cuja oferta foi prejudicada pela chuva além do normal, que encheu os reservatórios", ironiza Silveira. A única alta esperada para março está concentrada em um item, o leite longa vida. Para Silveira, a fraca rentabilidade do setor no ano passado está sendo compensada agora. De acordo com o diretor do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Nelson Batista Martin, a oferta recuou cerca de 5% por conta dos preços baixos do leite no segundo semestre de 2001. "Muitos criadores se desfizeram do gado leiteiro", diz.
Os demais produtos, como arroz e feijão, cujos preços ao consumidor subiram no primeiro trimestre de 2001, devem ter um comportamento estável. Até porque já aumentaram muito, em doze meses, arroz teve alta de 24,7% e feijão, de 15,78%.
Além do leite, os itens que podem apresentar flutuações de preços são tomate, batata e cebola, por serem suscetíveis ao clima quente e chuvoso, segundo Martin. Já para laranja e banana, a tendência é de queda de preços ao produtor este mês com o aumento da oferta no mercado.
No caso das carnes, Martin também não vê pressão altista. Os preços no mercado de boi gordo se mantêm estáveis, segundo ele, porque os pecuaristas estão retendo gado no pasto.
Martin destaca que o comportamento dos preços ao produtor nos dois primeiros meses deste ano segue tendência diversa à de 2001. No primeiro bimestre do ano passado, o conjunto de 19 produtos agrícolas teve alta de 3,65% nas cotações. Este ano houve queda de 2,68%.
Fonte: Valor On Line (por Débora Guterman e Alda do Amaral Rocha), adaptado por Equipe MilkPoint