Chile: supermercados são responsabilizados pela crise no setor leiteiro

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Representantes locais de indústrias de lácteos atribuíram às cadeias de supermercados boa parte da crise pela qual o setor leiteiro do Chile está passando e provocando na economia regional, alegando que estes, através das ameaças de importações e da demora dos pagamentos, geram um importante fator de distorção interna.

Essa foi a conclusão de uma reunião realizada nesta semana em Osorno, com os representantes da Comissão Silvoagropecuária do Conselho Regional (Core), entidade organizadora do encontro que convocou também autoridades da secretária da Agricultura e do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) do Chile.

Do encontro participaram também executivos das empresas lácteas Soprole, Nestlé, Loncoleche, Colún, Cafra, e a Associação dos Produtores de Queijo, enquanto que os únicos que foram convocados, mas não compareceram, foram a Parmalat e a Chilolac.

Diagnóstico

Durante a reunião, o presidente da Comissão Silvoagropecuária do Core, Carlos Geisse, explicou que um dos grandes problemas diagnosticados pelas indústrias, na cadeia de lácteos, é a prática exercida pelos supermercados, "pois, ao ter a facilidade de importar, só o fato de anunciar este tipo de processo, já repercute no mercado nacional", mencionou.

Geisse disse também que outro fato que afeta diretamente às indústrias processadoras chilenas é o prazo de pagamento estabelecido pelos supermercados. Enquanto as indústrias têm que pagar pelo leite a cada 30 dias, recebem dos supermercados a cada 120 dias. "Além disso, desde o momento em que o produto é elaborado, até que seja colocado no mercado, passam-se vários dias. Por isso, fala-se de um período muito grande de recuperação de seu investimento, o que faz com que principalmente as fábricas menores não consigam se sustentar, já que há carência de um crédito que lhes permita suportar este tempo".

O secretário da Agricultura da Região de Los Lagos, Eduardo Meersohn, disse que os supermercados são, de fato, muito dominantes na cadeia agroalimentar. "À medida que nos aproximamos do consumidor, a possibilidade de influenciar e conduzir a relação comercial se torna mais importante. Os industriais sentem que a ameaça dos supermercados, no sentido de que a qualquer momento podem importar leite, é o que faz com que eles tenham uma grande opção de fixar condições no negócio leiteiro".

O conselheiro regional de Valdivia, Manuel José Aldunate, disse que os problemas de comercialização do produto passam também pelo baixo consumo de leite per capita existente no Chile, e pelo difícil momento econômico pelo qual o país está passando, o que afeta o volume de vendas.

Diálogo

Esta reunião, ocorrida na segunda-feira, foi o segundo encontro que a Comissão Silvoagropecuária do Core realizou com os integrantes da cadeia leiteira. Em primeira instância, ouviram os dirigentes regionais dos produtores e, segundo Geisse, em um futuro próximo esperam convocar os supermercados.

Durante a reunião efetuada em Osorno, não foram analisados os detalhes do momento difícil pelo qual a relação entre as empresas agrupadas pela Associação das Indústrias Lácteas (Asilac) e seus fornecedores de leite está passando.

Fonte: El Diario Austral de Osorno (por Guido Rodríguez), adaptado por Equipe MilkPoint
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