Uma tarifa para compensar a desigualdade de condições nas quais os produtores de leite chilenos competem frente aos produtos europeus e norte-americanos foi solicitada pelo presidente da Federação de Produtores de Leite (Fedeleche) chilena, Jorge Alamos, ao presidente da República do Chile, Ricardo Lagos.
Alamos expôs a competição desleal que sua entidade enfrenta devido aos subsídios recebidos pelos produtores nos países desenvolvidos, como União Européia (UE) e Estados Unidos, e solicitou que o governo imponha tarifas maiores para compensar esta situação.
Entretanto, Alamos disse que o governo do Chile recusou mais uma vez a proposta, alegando que esta "não está dentro da visão do governo". A resposta negativa do governo seria, segundo Alamos, devido ao fato de as autoridades do país estarem muito preocupadas em não apresentar sinais de protecionismo. Entretanto, o presidente da Fedeleche destacou que, caso não consigam achar uma solução, o setor leiteiro do Chile terá pouco futuro.
Alamos alegou que é favorável ao livre comércio, mas que neste caso, "existem distorções" que devem ser eliminadas. Com relação às ações que seriam tomadas para enfrentar esta situação, Alamos disse que iria informar a todos da resposta de Lagos e então, as medidas seriam tomadas. Ele disse que isso deveria ocorrer ainda nesta semana, mas não tinha ainda uma data definida.
O presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Andrés Santa Cruz, considera que a negativa governamental se deve ao fato de que o Executivo não atribui os problemas do setor de lácteos à competição desleal estrangeira, mas sim, à estrutura do setor.
Ele disse que o governo "considera que o problema está na comercialização", já que existem poucos compradores e muitos produtores que competem entre si. Por isso, crê que a melhor solução seria unificar os produtores de leite chilenos.
Got leche?
A Fedeleche conseguiu dar um importante passo no processo de consolidação de sua gestão ao interior da Promolac no início do mês. A Sociedade Nacional de Agricultura e o Consórcio Agrícola do Sul (CAS) transferiram a esta organização a maior parte das ações que mantinham da sociedade anônima fechada que controla a execução de uma famosa campanha de promoção do consumo do leite no Chile.
Desde sua reativação, no ano 2000, a Fedeleche participava da Direção da Promolac, graças a uma cota entregue pela SNA, mas alguns setores da entidade, fundamentalmente os vinculados à associação de produtores de Osorno, mantiveram-se à margem da campanha, porque a federação não participava formalmente da propriedade.
Esta situação gerou muitas controvérsias entre os produtores de leite e foi determinante para a postergação do início da campanha, que somente começou oficialmente em 18 de março deste ano. Em virtude do acordo alcançado entre a Fedeleche, a SNA e o CAS, os produtores de leite chilenos se incorporaram à propriedade com 15 ações (30%), enquanto que a SNA e a CAS ficaram com uma ação cada uma e com presença vigente dentro da sociedade.
Depois deste passo, o presidente da Fedeleche destacou o acordo obtido com ambas as entidades, já que permitiu alcançar três objetivos fundamentais para o êxito da campanha. "Por um lado, há um reconhecimento à gestão e ao trabalho da Fedeleche dentro da Promolac, apesar de não ter participado da propriedade. Em segundo lugar, mantém-se a presença da SNA e do CAS na sociedade, como uma amostra da importância e da representatividade de ambas as instituições a nível nacional; e em terceiro lugar, cumpre-se uma condição que alguns setores de leite importantes em termos de volume de produção tinham imposto para dar respaldo à campanha".
O dirigente expressou sua confiança em que o projeto de promoção do consumo de leite, atualmente em marcha, aumentará de forma importante, o que implicará manter e melhorar as ações de marketing para chegar ao objetivo de aumentar o consumo de leite. Vale recordar que a magnitude da campanha está dada pelo nível de contribuição realizada pelos produtores.
Fonte: El Diario e El Mercurio, adaptado por Equipe MilkPoint
Chile: produtores pedem tarifa maior aos produtos lácteos importados para compensar subsídios; governo nega
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.