A projeção formulada pela Fedeleche no início de 2002 foi confirmada pelos dados oficiais de recepção para o período de janeiro a setembro, que mostram um aumento acumulado de apenas 1% com relação aos primeiros nove meses da temporada de 2001 (1,126 bilhão de litros, frente a 1,115 bilhão de litros).
Em seu último informativo sobre a conjuntura do setor leiteiro, o Departamento Técnico da Fedeleche informa que, pelo quarto mês consecutivo, as compras de leite nas indústrias processadoras nacionais experimentaram um claro decréscimo na taxa de crescimento que vinha registrando desde o início da temporada de inverno.

Durante setembro de 2002, a entrega de leite nas fábricas foi somente 1,6% maior do que no mesmo mês do ano de 2001, o que representa um decréscimo importante com relação à tendência que a produção vinha mostrando desde maio, quando se observou um aumento de 6,9% com relação ao mesmo mês do ano anterior. Vale destacar que a resposta da produção aos sinais do mercado tem um certo atraso no tempo, o que leva a uma previsão de diminuição ainda maior na recepção para o início da temporada de 2003.
Neste contexto, seria colocado em sério risco o esforço exportador que o setor leiteiro chileno está fazendo, cujo êxito depende fundamentalmente do incentivo à produção através de condições de venda favoráveis para aqueles que fornecem leite fresco à indústria de lácteos.
É importante destacar que estes dados de crescimento na recepção de leite no Chile beirando o zero evidenciam a reação lógica dos produtores ante a um cenário deprimido de preços que, para o período de setembro de 2001 a setembro de 2002, acumula uma queda de 20,3% em seu equivalente em dólares - US$ 0,17/litro em 2001 contra US$ 0,13/litro em 2002.
Em meio a este cenário depressivo em termos de preço e produção interna, o contexto internacional dos últimos dias aparece com claros sinais de recuperação com relação aos baixos níveis alcançados durante esta campanha e onde o leite em pó - principal commodity láctea - chegou a um preço de cerca de US$ 1100/tonelada.
Vale destacar que, diante das atuais condições, com uma oferta interna de leite fresco fortemente contraída e um mercado internacional em alta, o esperável é que estes sinais se reflitam em um aumento dos preços pagos pela indústria do Chile aos produtores locais, especialmente quando as principais processadoras se encontram com déficit de recepção ou com pouco crescimento na mesma.

Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint