À medida que crescem, as crianças chilenas reduzem sua ingestão de leite e aumentam o consumo de refrigerantes - um hábito que pode ter sérias conseqüências no futuro, porque reduz as possibilidades de fortalecer os ossos e de enfrentar a idade adulta sem o fantasma da osteoporose.
Isso foi comprovado pela médica pediatra e diretora da Fundação Chilena de Osteoporose, Aída Milinarsky, em uma pesquisa realizada com 550 estudantes na Quinta Região durante o ano de 2001 e que foi apresentada na semana passada. Esta entidade desenvole um plano para prevenir e detectar a osteoporose em nível nacional, que contempla a realização de densitometrias gratuitas no Chile.
A osteoporose é uma enfermidade que se caracteriza por uma redução na massa óssea, o que provoca fragilidade nos ossos, ficando com maior risco de fraturas. Segundo estatísticas da fundação, 20% das mulheres de mais de 40 anos e 40% das mulheres de mais de 70 anos sofrem desta doença.
O médico e presidente da fundação, Roberto Arinoviche, ressaltou que a prevenção desta enfermidade deve ser realizada durante a infância e, sobretudo, na adolescência. Isto porque é durante este período da vida que a massa óssea alcança seu pico de crescimento. O que uma criança pode ganhar em cálcio entre os 12 e 14 anos é o equivalente ao que pode perder nos 20 anos que se seguem após a menopausa, segundo informou Milinarsky.
No entanto, os estudos demonstram que as crianças chilenas consomem a quantidade de produtos lácteos de que necessitam somente até os quatro anos de idade. Depois disso, começam a tomar menos leite e, quando chegam à etapa crítica, a adolescência, deixam de consumir este produto. Eventualmente as crianças nesta idade tomam leite no desjejum e, no restante do dia, bebem sucos ou refrigerantes, segundo afirmou a pediatra.
Alimento benéfico
Especificamente, a pesquisa realizada pela médica, junto a estudantes de medicina da Universidade de Valparaíso, comprovou que, entre quatro e nove anos de idade, 50% das crianças ingeriam quantidade adequada de lácteos, enquanto que, após esta idade, somente 15% mantinha o consumo ótimo que, para eles, deve ser de pelo menos um litro de leite diário.
Além de consumir poucos produtos lácteos, os adolescentes aumentam sua ingestão de bebidas gasosas. Estas bebidas, sobretudo as colas, têm muito fosfato, o que favorece a eliminação de cálcio através da urina. Isto faz com que baixe o nível de cálcio no sangue, de forma que o organismo recorre aos ossos para manter o nível deste mineral, explicou a médica. Se este fenômeno causa ou não algum dano em nível ósseo, somente poderá ser demonstrado após estudos em uma maior quantidade de pacientes.
Fonte: El Mercurio, adaptado por Equipe MilkPoint
Chile: Jovens tomam menos leite que o recomendado
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