A Associação de Industriais Lácteos do Chile (Asilac) propôs a elaboração de uma mesa de diálogo, que inclua o governo, a Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) e os produtores de leite, a fim de buscarem soluções a médio e longo prazo no conflito no setor leiteiro, pelo qual passa o país.
Segundo Patricio Lyon, presidente da Asilac, a iniciativa tem como finalidade iniciar uma aproximação entre todos os elos da cadeia, a fim de que seja elaborada, em conjunto, uma solução efetiva para o atual estado do setor. No entanto, Lyon deixou bem claro que esta "mesa de diálogo" estará restrita à temas de médio e longo prazo - e não à conjuntura - de forma que não serão tratados aspectos relacionados às modificações referentes à queda no preço do leite, pago ao produtor chileno.
Segundo Lyon, eles recorrerão ao SNA e ao Ministério da Agricultura - representando o Executivo - "já que são órgãos que já atuaram anteriormente, e que podem servir de ponte de ligação através de seus subsídios."
Recepção
Entre os membros da SNA, a idéia foi muito bem recebida uma vez que constitui uma via de solução concreta para os desafios que o setor lácteos chileno deve assumir. Segundo Gustavo Rojas, gerente de desenvolvimento da entidade, esta iniciativa pode ser uma boa forma de encontrar uma saída aos temas de fundo. Segundo ele, a instituição está com absoluta disposição para aceitar esta proposta. Porém, os produtores disseram que ainda não há condições para que seja realizado este diálogo.
O que pedem os produtores
Para o presidente da Federação Nacional dos Produtores de Leite do Chile (Fedeleche), Jorge Alamos, "como não há solução para a conjuntura atual, não há bases para uma mesa de diálogo."
Segundo Alamos, o problema atual está em tornar transparente o sistema de fixação de preços, que deve estar ligado a uma série de fatores objetivos externos, tais como o valor do tipo de câmbio e o preço internacional. Além disso, pelo menos em curto prazo, a solução do conflito passa precisamente por indexar o preços a estes elementos de cálculo.
Com relação ao avanço obtido na acusação apresentada pela Fedeleche junto à Fiscalía Nacional Económica, Alamos disse que desconhece o atual estado da causa, apesar de os produtores estarem esperando um resultado, no menor tempo possível.
Cooperativas
Com relação à possibilidade de que os produtores comecem a aplicar o sistema de cooperativas a nível industrial - tal como fez com êxito a empresa Colún - Alamos mostrou-se favorável à iniciativa, opinião que foi compartilhada pelo ministro da Agricultura, Jaime Campos. "Parece-me uma idéia muito boa, que vai contar sempre com o apoio do Ministério. Quanto mais o mercado se diversifique, menor a possibilidade de que existam práticas de monopólios por parte das indústrias", disse Campos.
Campos disse que o governo chileno atualmente possui um grande número de instrumentos que permitem o financiamento dos produtores. Com relação ao fato de que o Chile já teve inúmeras experiências fracassadas neste sentido, nas décadas anteriores, Campos afirmou que muitas delas "quebraram na época do Governo Militar, criando-se o monopólio do leite."
Fonte: El Mercurio, adaptado por Equipe MilkPoint
Chile: indústrias lácteas querem promover uma mesa de diálogo
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