No mais absoluto silêncio a Associação de Produtores de Leite de Osorno (Aproleche), no Chile, realizou na semana passada, em Santiago, a compra de um pacote de ações da Soprole e da Prolesur, as quais foram transferidas a mais de 600 de seus sócios, em uma decisão que poderá mudar radicalmente o cenário do mercado leiteiro chileno.
O presidente da Aproleche, Javier Pardo, afirmou que a idéia que estimulou a entidade a tomar esta decisão é se envolver na industrialização do produto, após terem se convencido de que o setor primário deve se integrar verticalmente em um elo chave da cadeia de comercialização do leite, que é justamente o processamento de produtos.
Pardo não revelou os valores envolvidos na operação, nem tampouco a quantidade de ações que agora está nas mãos dos produtores de leite, associados da Aproleche. Apesar do presidente da Aproleche não ter comentado sobre as implicações que a entrada de produtores como acionistas destas empresas poderá ter, do ponto de vista legal isso poderá implicar em uma estratégica mudança nas atuais regras que regem o negócio do leite no Chile.
Atualmente, a Soprole é uma sociedade anônima fechada, de forma que a inclusão de uma grande quantidade de novos acionistas poderá repercutir de forma decisiva na forma como a indústria - uma das maiores do Chile - se sustenta.
A diferença
De acordo com a legislação chilena, uma sociedade anônima é considerada aberta se cumpre com uma ou mais das seguintes condições: as ações ou outros valores da sociedade estão inscritos em uma Bolsa de Comércio; ou são oferecidos ao público em geral; ou a sociedade tem mais de 500 acionistas. Desde a compra feita pela Aproleche a Soprole cumpre com esta última condição, de forma que se converteu automaticamente em uma sociedade anônima aberta e, com isso, estará sujeita ao controle da Superintendência de Valores e Seguros e inscrita no Registro de Valores.
A inclusão dos mais de 600 produtores de leite chilenos como acionistas da Soprole e da Prolesur, pode chegar a influenciar de forma decisiva assuntos importantes, como a possível aliança estratégica desta empresa com a Nestlé do Chile, que já falhou em sua primeira tentativa, justamente devido à oposição dos sócios minoritários.
No Chile, a Empresas Soprole está dividida em duas sociedades. Uma é a fábrica processadora de produtos lácteos, localizada em São Bernardo. A outra, é a Sociedade Produtora de Leite, que integra as fábricas de Temuco, Los Lagos e Osorno. A Aproleche adquiriu ações de ambas.
Uma sociedade anônima aberta deve realizar assembléias ordinárias de sócios no primeiro quadrimestre de cada ano. No caso da Soprole, isso implica a completa abertura aos produtores acionistas. A supervisão da Superintendência de Valores e Seguros do Chile é efetuada através de auditorias externas.
"Nossa idéia é nos integrarmos na cadeia de comercialização. Neste cenário, não se pode descartar nada. Estamos muito satisfeitos, porque vamos conhecer o negócio internamente e creio que o maior beneficiado disso será o país, porque queremos terminar com as eternas desconfianças, para que este seja sempre um negócio transparente".
O presidente da Aproleche disse que a entidade não está pensando em desistir da idéia de construir uma fábrica leiteira própria. "De fato, esperamos em breve ter novidades sobre isso. A aquisição das ações e a construção da fábrica não são contraditórias".
Fonte: El Diario Austral de Osorno (por Ricardo Alt), adapatdo por Equipe MilkPoint
Chile: 600 produtores da Aproleche compram ações da Soprole e da Prolesur
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