Centro-Oeste: sem medo do peso desvalorizado

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Os agropecuaristas do Centro-Oeste não estão temendo uma enxurrada de produtos argentinos a preços mais baratos, decorrente da desvalorização do peso. Produtos que tradicionalmente o Brasil importa daquele país, como arroz, algodão, trigo, milho e leite poderiam se tornar competitivos, mas os analistas de mercado não acreditam em pressão nos preços internos agora, pois a crise teria diminuído a safra de muitos produtos importados pelo Brasil.

"Ainda é cedo para procurarmos os prejuízos, porque ainda não sabemos a real desvalorização", afirma Vicente Nogueira Neto, chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

Segundo Vicente Nogueira Neto, a desvalorização do peso pode não se converter em competitividade porque os preços internos na Argentina tendem a aumentar. "Será que o Brasil será o mercado mais atraente para a Argentina?" questiona. Nogueira Neto acredita que, se houvesse problema, seria em produtos como algodão - 15% das importações brasileiras vêm da Argentina, arroz (31% das importações), milho (50%), trigo (97%) e lácteos (70%).

O setor leiteiro, que poderia ser o mais afetado pela desvalorização, principalmente por que os produtores já estão com os preços achatados, não é motivo de alarme para Nogueira Neto, pois o preço do leite está defendido em dólar pelas medidas antidumping. Para os demais produtos lácteos - queijo e leite longa vida, a influência vai depender da desvalorização. Nogueira Neto afirma que uma variação de 40% não é suficiente para pressionar os preços internos. "Além disso, em 2001 os argentinos diminuíram a produção. Então, não sabemos se eles vão ter excedentes", conclui.

"Nossa preocupação maior é com o leite, pois o produtor brasileiro já trabalha no vermelho", diz o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Macel Caixeta. O Estado de Goiás é o segundo maior produtor de leite do país. Em Goiás, o produto é vendido a R$ 0,27, com custo de produção de R$ 0,36. Segundo Macel, na Argentina o custo é menor e o parque industrial é mais moderno.

Opinião diferente tem o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez. "Somos tão competitivos quanto eles", diz. Rubez teme é que o Brasil deixe de exportar produtos como couro e maquinários para a Argentina, provocando o aumento do desemprego no país e, consequentemente, reduzindo o consumo de leite no mercado interno.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Neila Baldi), adaptado por Equipe MilkPoint
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