O projeto vem sendo trabalhado há cerca de dois anos, quando a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de Goiás (Centroleite) iniciou conversações com a Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR), dona da marca Itambé e terceira maior fabricante de leite do País. Criada no final dos anos 90, a Centroleite, que movimenta quase 9% da produção goiana, estimada em 2,4 bilhões de litros em 2001, quer um pedaço da Itambé, que pretende vender 49% de suas ações a um sócio estratégico.
"A Itambé é uma cooperativa forte e bem estruturada. Uma eventual participação em seu capital pode ajudar o produtor a viabilizar a exploração leiteira no estado", afirma o presidente da Centroleite, Fernando Vilela. As negociações foram travadas, até aqui, com a direção da CCPR e não chegaram a envolver o Banco Pactual, contratado no final de 2001 para encontrar um investidor disposto a assumir 49% do capital da Itambé.
Embora a CCPR descarte a possibilidade de venda pulverizada, Vilela acredita que seria possível negociar uma participação minoritária, eventualmente por meio de um consórcio. "Podemos assumir 0,5% ou 1% das ações, por exemplo. Nossa participação dependerá da aceitação do futuro pretendente, mas queremos ter uma posição nesta parceria", afirma.
A idéia surgiu há mais tempo e foi alimentada pelo mesmo conjunto de razões que levou um grupo de 13 cooperativas a destinar parte de sua produção à Centroleite, tornando viável a operação da central. A intenção era criar instrumentos que permitissem aos produtores uma posição de força dentro do mercado, amenizando oscilações de preços e preservando margens confortáveis ao setor de produção.
Hoje, a Centroleite recebe, comercializa e distribui cerca de 600 mil litros por dia, mas não tem estrutura industrial para processar a produção recebida. "O pessoal do setor considera a Centroleite como uma cooperativa virtual", diz Vilela. Os negócios da central são operados de um escritório em Goiânia.
Trunfo na mesa
Como trunfo, colocado na mesa de negociações com a Itambé, a Centroleite tem sua participação no mercado goiano e uma rede de distribuição ágil e enxuta. "A Itambé tem participação pequena em Goiás, com uma captação em torno de 150 mil a 200 mil litros diários", arrisca Vilela. A CCPR tem fábricas em Goiânia e Piracanjuba e uma planta no Distrito Federal. Destas, apenas a unidade de Goiânia opera plenamente. "As outras estão praticamente desativadas".
Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe MilkPoint
Centroleite quer um pedaço da Itambé
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