Cartelização: CNA pode ir ao Cade

Publicado por: MilkPoint

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Durante audiência pública ocorrida ontem na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, Paulo Bernardes, presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), disse que a queda nos preços do leite pagos ao produtor pela indústria vem ocorrendo porque o setor industrial está cartelizando os preços. A intenção da CNA é de conversar com representantes das grandes empresas - como Parmalat e Nestlé - para reverter essa situação. Segundo Bernardes, caso seja necessário, a CNA poderá reclamar junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Ministério da Justiça para que as empresas cessem com essa prática.

Ontem, empresários, políticos e produtores discutiram a queda nos preços do leite aos produtores. Segundo Bernardes, nos meses de julho e agosto a remuneração obtida com a venda do leite caiu em torno de 15% em todo o Brasil, mas em Goiás, esta queda chegou a 30%, com produtores recebendo em média menos de 30 centavos por litro de leite. No mesmo período, a CNA não constatou queda nos preços do litro de leite "in natura" ao consumidor. Segundo ele, apenas 5 grandes empresas compram 50% dos 20 bilhões de litros/ano produzidos no País.

Na audiência pública, o presidente da Nestlé no Brasil, Ivan Zurita, contestou as acusações de que as indústrias estão pagando pouco aos produtores, dizendo que o interesse da empresa é ajudar os produtores a encontrar uma saída para a crise. Segundo ele, em junho a Nestlé pagou R$ 0,39 pelo litro, e, em julho, esse valor foi de R$ 0,36. Além disso, Zurita informou que o México tem um déficit anual de 270 mil toneladas de leite e que o Brasil poderia se habilitar a exportar o excedente de leite para esse país.

Argentina

Bernardes denunciou também a falta de cumprimento, por parte de empresas da Argentina, com relação ao acordo antidumping firmado em fevereiro passado com a CNA, com o aval do governo brasileiro. Segundo ele, o leite que deveria estar entrando no Brasil por US$ 2 mil a tonelada FOB está chegando por esse preço no varejo, o que significa que o produto está saindo da Argentina a US$ 1.600.

Bernardes informou que a CNA está fazendo contatos com a empresa - ele não deu o nome - para reclamar do descumprimento do acordo. Se a reclamação não resultar efeito, a entidade vai procurar o Departamento de Defesa Comercial (Decom) do Ministério de Desenvolvimento para que o produto volte a ser taxado em 23%.

Fonte: O Popular/GO, adaptado por Equipe MilkPoint
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