A desvalorização cambial está incentivando as exportações brasileiras de queijo. Mais competitivas no mercado internacional, as empresas do setor começam a buscar novos clientes. Com mercado interno fraco, está sendo uma forma de driblar a alta de custos.
Vendendo queijos processados para América Latina e com projetos para alcançar África e América Central, a meta da americana Schreiber no Brasil é exportar 45% de seu volume em três anos. Presente no mercado japonês desde o ano passado com queijos prato e mussarela, a Teixeira começou a embarcar esses produtos também para a África e fechou recentemente vendas para os EUA. Com os novos negócios, a receita com exportação atingiu US$ 1,5 milhão esse ano, ante US$ 200 mil em 2001.
Outra empresa que acaba de fechar contrato como uma cadeia de supermercados americana é a Vigor. Segundo seu vice-presidente, Vinícius Vieira Ramos, está sendo embarcado o primeiro contêiner de cream cheese e requeijão ao novo cliente. A empresa também vende para Bolívia e Paraguai.
A Dan Vigor, joint-venture entre a dinamarquesa Arla Foods e a própria Vigor, também está buscando clientes no exterior, mas ainda não fechou contratos. Com 10% das vendas provenientes de produtos importados da acionista Arla, a empresa enfrenta dificuldades com a desvalorização. "Estamos discutindo novas tabelas com os clientes, mas para alguns produtos nossa margem é zero ou até negativa", diz o gerente de operações, Paulo Leônidas.
As exportações aparecem como uma opção não só para as empresas importadoras, mas também para as nacionais. A alta do dólar encareceu alguns insumos utilizados pelo setor. No acumulado do ano até setembro, o preço médio pago pelas caixas de papelão subiu 101,5%, pelos conservantes 34,75% e pelos fermentos lácteos 57,5%, conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Queijos (Abiq).
O setor sofre também com o leite fresco, que subiu 50% no período. Segundo Solon Teixeira, que também preside a Abiq, as fabricantes de queijo precisam de um reajuste de 20% a 25%. Mas ele admite que é um percentual difícil de atingir para um produto ainda considerado supérfluo por boa parte dos consumidores.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Câmbio favorece exportação de queijo
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