Os produtores argentinos pedem um preço mínimo para o produto. Atualmente, eles recebem entre US$ 0,043 e 0,068 por litro
A "guerra do leite", na qual se enfrentam produtores, indústrias e varejistas, será um dos temas a ocupar grande parte da reunião entre os governadores e o presidente argentino Eduardo Duhalde. Antes do encontro, o governador cordobês Jose Manuel de la Sota adiantou que pedirá a fixação de um preço mínimo para os produtores de leite, que se encontram em crise há três anos.
Dessa forma, também pretende-se converter o caso do leite em um teste para avaliar o quão longe o Governo argentino pretende ir na defesa dos setores produtivos.
Os preços mínimos foram completamente erradicados da economia pelo ministro Domingo Cavallo em 1991. No caso do leite, essa alternativa surge como quase a única opção, já que todos esforços anteriores fracassaram.
Este conflito tem constado na agenda da Secretaria de Agricultura nos últimos três anos, mas nunca chegou-se a uma solução. Os produtores apresentaram queixas mencionando que as indústrias os pagavam abaixo dos custos de produção. Conclusão: o setor foi se degradando rapidamente. O número de fazendas reduziu-se de 18.300 a aproximadamente 15.000 desde setembro de 2000. Também caiu a produção nacional de leite, que alcançou um recorde de 10,3 bilhões de litros em 1999, passando para 9,2 bilhões em 2001.
"O problema é que vamos perdendo posição a favor do supermercados. Os preços do leite nas gôndolas são oito vezes maiores que os pagos no campo. Isso está nos levando a uma situação terminal", afirmou Ricardo Cereigido, proprietário de uma fazenda com 450 vacas em Trenque Lauquen.
Em Córdoba e Santa Fé a situação é semelhante. Por isso, o governador De la Sota teve que se colocar à frente do problema. "Compreendemos as reclamações. Entretanto, não se trata de subir o preço do leite sem comprometimento com a justiça", assinalou. Em outras palavras, De la Sota sugeriu que outros setores cedam parte de sua porção à favor do produtores sem prejudicar o consumidor.
O governador se comprometeu a levar o tema até Duhalde. "Se não temos uma resposta, devemos tomar medidas em Córdoba. Vamos analisar a possibilidade de fixar um preço mínimo".
Entidades compostas por produtores solicitaram há alguns dias que esse preço fosse de 0,21 pesos por litro, o equivalente a US$ 0,101. "A participação dos produtores deve chegar a aproximadamente 30% do valor final do produto, como em outros países", mencionaram as Confederações Rurais Argentinas.
Atualmente a participação dos produtores em relação ao preço final é menor. De acordo com cada região, os produtores recebem entre US$ 0,043 e 0,068 por litro entregue às empresas lácteas, enquanto que nos supermercados o litro de leite fresco é vendido a 38,6 centavos.
Fonte: Clarín (Matías Longoni) e E-campo, adaptado por Equipe MilkPoint
Briga pelo preço do leite na Argentina
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