O Brasil vai produzir 21,06 bilhões de litros de leite em 2002, aumentando em 2% o desempenho da pecuária de leite em relação ao ano de 2001. A estimativa é da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que se reuniu terça-feira para avaliar o desempenho do setor nestes quatro primeiros meses do ano. Este resultado demonstra uma queda na taxa de crescimento do setor, como conseqüência direta da crise gerada, principalmente, pelo baixo preço pago ao produtor. No último trimestre de 2001, em média, a cotação do litro de leite permaneceu em R$ 0,29, valor insuficiente para a adequada remuneração da atividade.
Apesar da redução da taxa de crescimento, a produção leiteira poderá garantir o pleno abastecimento interno, sem depender de importações. De janeiro a março, verificou-se uma queda de 10,2% nas importações de lácteos em relação ao primeiro trimestre do ano passado, totalizando US$ 49,6 milhões. Segundo análise do Departamento Econômico da CNA, o crescimento da produção nacional, que vem possibilitando a redução das aquisições externas, só foi possível devido ao aumento de produtividade obtido pelo setor produtivo com investimento em modernização. Levantamento da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA mostra que a produção média dos pecuaristas para as 16 maiores indústrias de laticínios do País cresceu 14,7%, passando de 136 litros diários por produtor, em 2000, para 156 litros/dia, por produtor, em 2001.
A crise argentina também está ajudando a melhorar o mercado nacional de leite. Segundo o presidente da Comissão, Paulo Bernardes, não há excedentes no país vizinho para ser exportados para o Brasil, o que evitará pressão nos preços pagos aos produtores. "O produtor na Argentina está muito mal, recebendo preços que não cobrem nem o custo de produção. Muitos estão abatendo gado leiteiro para pagar contas e outros estão migrando para a soja porque desistiram de ser criadores", diz.
Bernardes diz ainda que o crescimento previsto será possível se o quadro atual, com preços entre R$ 0,30 a R$ 0,45 pagos pelo litro de leite ao produtor, for mantido.
Exportações
Além de reduzir importações, o setor leiteiro vem gerando excedentes e ocupando novos espaços no mercado externo. De janeiro a março deste ano, as exportações de lácteos cresceram surpreendentes 382% em relação ao mesmo período de 2001, alcançando US$ 5,9 milhões, número significativo para um setor que, até dois anos atrás, praticamente não exportava nada e ainda dependia de grandes volumes de importação. Esta quantia é pequena, mas significativa quando se leva em conta que no primeiro trimestre de 2001 as vendas externas de lácteos somaram 1,2 milhão de dólares, observou Bernardes. Os maiores compradores dos excedentes de produção brasileiros são o norte da África, Oriente Médio, Chile, Argélia e México.
A expansão da captação de leite pelas principais indústrias de laticínios vem possibilitando o crescimento das vendas externas. Levantamento do Departamento Econômico da CNA, em conjunto com a Leite Brasil e a Embrapa Gado de Leite, indica que a captação de leite das 16 maiores indústrias cresceu 5,5%, em 2001, quando comparado ao ano anterior. No total estas empresas foram responsáveis pela coleta de 6,57 bilhões de litros de leite no ano passado. O ranking das cinco maiores empresas de laticínios do País permaneceu inalterado em relação a 2000: Nestlé (1,43 bilhão de litros captados); Parmalat (941 milhões de litros captados); Itambé (832 milhões de litros captados); Elegê (782 milhões de litros captados) e CCL (488 milhões de litros captados) - clique aqui para ver notícia sobre este ranking.
Fonte: CNA e Diário Popular/ RS, adaptado por Equipe MilkPoint
Brasil vai produzir 21,06 bilhões de litros de leite em 2002
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