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Apesar da guerra, Brasil permanece recebendo adubo russo

Embora o conflito entre Rússia e Ucrânia tenha trazido consequências, o Brasil ainda recebe adubos russos durante o período. Saiba mais informações aqui!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: 18/04/2022 - 3 minutos de leitura

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Mesmo depois de quase 50 dias de guerra na Ucrânia, que afetou as exportações de fertilizantes da Rússia, o transporte de adubo para o Brasil continua.

Um levantamento da StoneX mostra que, em 4 de abril, havia 600 mil toneladas de fertilizante russo – dos quais, eram 50% de potássio – a caminho dos portos brasileiros. A consultoria elaborou o relatório a partir de consultas a agências marítimas sobre a programação das embarcações.

Figura 1

O volume é significativo, ainda que tenha diminuído em relação ao que estava em deslocamento alguns dias antes. Em 18 março, a programação dos navios informava que 860 mil toneladas de adubo da Rússia estavam no mar rumo ao Brasil, uma redução que indica interrupções no fluxo de transporte.

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“Se os navios na ponta de lá estivessem sendo carregados normalmente, esse volume no mínimo se manteria, mas ele recuou”, comenta Marcelo Mello, diretor de fertilizantes da StoneX. A consultoria fará um novo levantamento apenas no fim deste mês.

As sanções econômicas que o Ocidente impôs à Rússia depois que o país invadiu a Ucrânia, em fevereiro, não proíbem a importação de fertilizante russo, mas o conflito traz dor de cabeça ao segmento em pelo menos duas frentes, de pagamentos e logística. A Rússia é um dos maiores fornecedores globais de adubos.

Entre os dias 20 de março e 13 de abril, seis navios com fertilizante do país atracaram no porto de Santos (SP). O terminal de Paranaguá (PR), a maior porta de entrada de adubos no Brasil, recebeu outras quatro embarcações no período, contendo pouco mais de 100 mil toneladas de nutrientes da Rússia, entre potássio, ureia e MAP.

Para este mês, a administração da Portos do Paraná espera que mais seis navios com carga russa – entre os que já aguardam na fila para descarregar e aqueles que estão a caminho – entreguem cerca de mais 150 mil toneladas. “O volume total, não apenas da Rússia recebido cresceu 26% no primeiro trimestre deste ano”, diz Luiz Fernando Garcia da Silva, diretor presidente da Portos do Paraná, que fez a comparação com o mesmo período de 2021.

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O crescimento das importações via portos paranaenses resulta de um movimento de antecipação de compras que começou no fim do ano passado, quando Belarus, outro importante fornecedor de potássio, passou a sofrer sanções econômicas de Estados Unidos e União Europeia.

Com a guerra, o fluxo de transporte está sob a lupa dos agentes, que já esperam que o nó logístico de meados do ano no Brasil, comum no país nessa época, seja ainda pior em 2022. A diferença é que dessa vez, com o atraso de parte das cargas que chegarão pelo mar, os problemas não serão pontuais, acredita Mello.

As atenções estão voltadas agora para os embarques que ocorrem em março e abril, quando o Brasil intensifica as importações para atender a demanda do plantio da safra de verão (2022/23), que começa em setembro. Apesar do cenário desafiador em 2022, Mello afirma que o problema não vai inviabilizar a próxima safra - que, se o clima ajudar, deverá ser “grande”. “Mas é difícil que a área plantada aumente no próximo ciclo”, diz.

A Rússia forneceu 22% das 39 milhões de toneladas de adubos que o Brasil importou no ano passado, em uma lista que tem ureia (nitrogenado), MAP (fosfatado), nitrato de amônio e potássio. Para os dois últimos, a StoneX projeta desabastecimento em 2022.

O nitrato de amônio pode ser substituído por ureia, mas para o potássio os agricultores não têm outra opção. “A situação pode ser neutralizada se houver uso racional no plantio”, avalia Mello. A consultoria acredita que a oferta de potássio ficará entre 25% e 30% abaixo da demanda.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela equipe MilkPoint. 

 
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