A Itambé S.A., controlada pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), estuda a possibilidade de ter o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como sócio. Embora a direção não confirme a iniciativa, fontes próximas à Itambé afirmam que trata-se de um "plano B" para garantir crescimento, caso a Itambé não feche a sonhada parceria com um sócio estrangeiro.
As negociações com o BNDES estão em fase inicial. O gerente executivo da área de clientes da agroindústria do banco, Jaldir Freire Lima, confirma que "existe a possibilidade de entrarmos como sócio", mas diz que não recebeu uma proposta formal da Itambé.
Fundos de investimento
Para comprar participação em uma empresa o BNDES impõe condições. Um limite legal determina que o banco possua só 30% do capital. Logo, a Itambé necessitaria buscar outros sócios, como empresas, cooperativas ou fundos de investimento. Fontes ligadas ao laticínio comentam que a Itambé poderia agregar mais cooperativas e montar uma empresa 100% nacional.
A goiana CentroLeite já divulgou intenção de adquirir 1% ou 2% da Itambé. Analistas comentam, porém, que um dos motivos da derrocada das grandes centrais, das quais a Itambé é praticamente a única sobrevivente, é a falta de tecnologia e fôlego para investir. E associação com cooperativas não soluciona esses problemas.
Novo Mercado
Outra exigência do BNDES é que a Itambé abra capital no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Pelas regras do chamado nível 3, a empresa só emite ações ordinárias (ON), com direito a voto. Na hipótese de venda os controladores são obrigados a fazer uma oferta aos minoritários. Participar do Novo Mercado implica também seguir princípios de transparência e boa governança. "Se a Itambé apresentar uma proposta com essas características, estamos abertos à negociação", afirma Lima.
Mas as conversas com o BNDES não significam que o laticínio desistiu de encontrar um sócio. A cooperativa aprovou há quase dois anos uma sociedade anônima e contratou o Banco Pactual para vender 49% das ações. Analistas duvidam que alguma multinacional se interesse, por não ter o controle.
Recentemente, executivos da cooperativa e do Pactual visitaram laticínios nos Estados Unidos e na Europa. Segundo fontes, a visita incluiu nove empresas, entre elas a Arla Foods. Fontes ligadas à cooperativa dinamarquesa descartam qualquer interesse, alegando que seu foco são queijos finos, que não fazem parte do "core business" da Itambé. É inegável, porém, que a bacia de captação da cooperativa mineira é interessante para uma empresa que só atua no Brasil por importações e em parceria com um laticínio no Amazonas.
O mercado também comenta sobre outras "pretendentes": a neozelandesa Fonterra (que quase fechou com a Vigor e está na Dairy Partners Americas, com a Nestlé), a francesa Andros (que sondou Coonai e a Vigor) e a própria Nestlé.
Quando a Danone adquiriu a marca da Paulista, a Nestlé apareceu como candidata natural à Itambé, devido à guerra que as duas multinacionais travam em refrigerados. Mas a matriz da suíça não foi visitada durante o tour da Itambé. A única certeza é de que a elevação do risco Brasil atrapalha os planos da cooperativa. "Tem gente que deixou para pensar no assunto depois das eleições", diz uma fonte.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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MilkPoint
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