Produção primária e industrial
A entrada de matéria-prima nas indústrias registrou, em outubro, uma queda de 5,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado nos dez primeiros meses de 2001 teve uma redução de quase 3% em relação ao mesmo período de 2000.
Esta redução na recepção de leite se deve, principalmente, à diminuição no número de fazendas, mais do que a uma redução na produção diária das fazendas. Tomando como base as 15 empresas indicadoras da produção nacional de leite, observou-se uma redução de 8% no número de fazendas, enquanto houve um aumento de 2,5% na produção diária/fazenda, em comparação com os dados de um ano atrás.
Dados preliminares para novembro, indicavam que a entrada de matéria prima seria 2,6% inferior em novembro, em relação ao mês de outubro e 5,5% menor que em novembro de 2000. Estes valores refletiriam o impacto das enchentes registradas em várias regiões leiteiras importantes.
Em relação aos preços da matéria-prima, o preço médio de outubro de 2001, pago pelas empresas líderes do setor, foi 3% inferior ao do mês anterior. Desta maneira, com a quinta queda consecutiva, houve uma redução de 15% em relação ao preço máximo praticado nos últimos 12 meses, registrado em maio do ano passado.
O principal fator que explica a queda nos preços está relacionado ao excesso de oferta, não acompanhado pela demanda do produto. A isto deve-se ainda acrescentar uma baixa nos preços dos produtos elaborados com o leite e uma diminuição estacional no conteúdo de sólidos totais do leite.
Em relação ao ano anterior, o preço de outubro de 2001 foi semelhante ao recebido em outubro de 2000.
Segundo empresas do setor, estima-se que, em novembro, o preço pago pelo leite sofreria uma redução de 2 a 3%.

NOTA: Os dados são provisórios
(*) RECEPÇÃO TOTAL (leite do produtor e de outra origem) de um conjunto de empresas que representa 60 a 65% do total nacional.
(1) Pode-se explicar parcialmente as flutuações nas compras de terceiros ou na quantidade ou tamanho das fazendas da amostra
(2) Em dias constantes. A variação de fevereiro e do ano foram corrigidas levando-se em conta que o ano de 2001 teve uma dia a menos que 2000
Fonte: Direção da Induústria Alimentícia, SAGPyA

Situação do mercado interno
Quando se compara a demanda e a oferta de leite agregadas 1 (em litros equivalentes de leite), nota-se, em relação aos primeiros dez meses do ano anterior:
- permanece havendo um excesso de oferta agregada, com uma maior diferença entre oferta e demanda, se comparado ao mesmo período do ano anterior
- embora tenha havido uma queda de 3% na produção primária, houve uma combinação de estoques iniciais maiores e importações que não permitiram o ajuste da oferta de produto
- em relação à demanda, houve uma queda de 7%, principalmente devido à redução de 29% nas exportações, além de uma queda de 3,5% no consumo interno do país.
- como resultado, os estoques finais de outubro triplicaram em relação aos de outubro de 2000.
Neste contexto, também houve uma redução dos preços do produto aos consumidores.
Vendas das indústrias
No caso das vendas de produto pelas indústrias, estima-se que houve um aumento de 1,5% nas vendas de produtos no mercado interno, em toneladas. Enquanto as vendas de leites fluidos aumentaram 2,5%, os produtos elaborados com leite tiveram uma retração de 2,5%.
Em valores, se considerarmos o equivalente em litros de leite, observa-se que houve uma redução global de 1% em comparação ao ano anterior.
Em relação ao mês anterior, houve uma recuperação de 1% nas vendas totais das indústrias em outubro de 2001.
Exportações
Em outubro de 2001 foram exportadas 9.500 toneladas de produtos lácteos, por um valor de US$ 18,7 milhões. Estes números representam alta de 14% no volume e 10% no valor, em relação ao mês anterior.
As vendas ao Brasil, no entanto, tiveram uma queda de 34% no volume. No entanto, em relação a outros destinos, houve um aumento de 35%, sempre em comparação ao mês anterior.
Em comparação com outubro do ano anterior, houve uma redução de 21% e 26%, em volume e valor, respectivamente.
De acordo com dados provisórios, as vendas externas acumuladas em 2001 alcançaram 109.000 toneladas e um valor de US$ 213 milhões, valores 24% e 20% inferiores ao de mesmo período de 2000.
As exportações para o Brasil - aproximadamente 44% do total - tiveram uma redução de 55% em relação ao ano anterior. Em relação aos demais destinos, houve um aumento de 77%.
Excluindo o Brasil, os destinos que merecem destaque para as exportações argentinas foram Chile, Argélia e EUA. No caso do México, houve uma interupção nas exportações de leite, devido à crise de febre aftosa na Argentina, reiniciadas apenas em meados de novembro, após inspeção sanitária por autoridades mexicanas.
1Oferta= Estoque inicial disponível + produção + importações
Demanda= Consumo interno + exportações
Fonte: Direção da Indústria Alimentícia, SAGPyA, adaptado por Equipe MilkPoint