A produção de leite nos 24 principais estados dos Estados Unidos atingiu um total impressionante de 8,39 milhões de toneladas em junho, marcando um aumento de 3,4% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Essa tendência de alta não é um caso isolado: os números de maio também mostraram crescimento significativo, com produção revisada para 8,75 milhões de toneladas, refletindo um aumento de 2,4% em relação ao ano anterior. Essa revisão representa um ajuste para cima de 61.688 toneladas, aproximadamente 0,7% acima das estimativas preliminares.
Em junho, a produção média por vaca foi de 928 kg, um aumento relevante em relação ao ano passado, com 15 kg a mais de leite por vaca.
Embora Phil Plourd, presidente da Ever.Ag Insights, tenha afirmado que já se esperava um desempenho relativamente forte em junho — considerando a base fraca de 2024 (-1,7%) e relatos de bons resultados na Califórnia — o crescimento de 3,3% foi uma surpresa.
“De modo geral, os produtores estão com margens razoáveis, e a nova capacidade instalada indica grande interesse em aumentar a oferta de leite”, comentou Plourd.
Um rebanho em expansão
Esse aumento não se deve apenas à maior produtividade por vaca. O número total de vacas leiteiras também cresceu. Os dados de junho mostram 9,03 milhões de cabeças nos estados líderes, um aumento de 146 mil em relação a junho de 2024, e uma leve alta de 3 mil em relação a maio de 2025. Considerando os 50 estados, o crescimento total do rebanho leiteiro também foi de 146 mil vacas.
“O ponto-chave para os próximos meses é que temos uma grande ‘força leiteira’, com o rebanho em ordenha subindo 146 mil cabeças em relação ao ano anterior”, disse Plourd. “Isso praticamente garante que veremos um crescimento consistente na produção de leite nos próximos meses.”
Ele destaca que o crescimento da Califórnia em comparação ao ano passado se deve ao fim dos impactos da gripe aviária (HPAI), ao fraco desempenho de 2024 (-2,1%) e ao clima excelente em junho, o que favoreceu um desempenho robusto.
Estados que lideram o crescimento
Kansas, Dakota do Sul e Idaho foram os principais impulsionadores do crescimento no último trimestre, com aumentos anuais significativos de 19%, 11,5% e 9,7%, respectivamente. Esses estados exemplificam como estratégias orientadas por metas e a adoção de técnicas agrícolas avançadas podem transformar a produção.
Tom Peterson, diretor executivo da Associação de Produtores de Leite da Dakota do Sul, expressou entusiasmo com a rápida expansão do setor leiteiro no estado. “No início dos anos 2000, o número de vacas leiteiras aqui era inferior a 80 mil cabeças”, comentou. Grande parte do crescimento ocorreu nos últimos cinco anos, com cerca de 150 fazendas classe A licenciadas.
Rick Naerebout, CEO da Associação de Produtores de Leite de Idaho, destacou que, em média, Idaho cresceu 5% desde o quarto trimestre de 2024. “Este relatório compara com um mês impactado pela gripe aviária no ano passado”, disse. “Cinco por cento ainda é um número expressivo, impulsionado pela suspensão temporária de programas de base (que já estão sendo restabelecidos) e por bons indicadores econômicos. Não é preciso muito para motivar nossos produtores a aumentar a produção.”
Um ciclo virtuoso para o setor
Produtores e investidores do setor leiteiro compartilham o otimismo com o crescimento do rebanho e da capacidade de produção. Essa tendência robusta tem impulsionado benefícios econômicos em diversos estados, sendo sustentada por melhorias contínuas na gestão do rebanho e nas estratégias de produção.
A entrada de mais de US$ 8 bilhões em investimentos em laticínios em todo o interior dos EUA destaca a alta demanda por essa maior oferta de leite. O cenário indica que a produção continuará em trajetória de crescimento sustentado, alimentada por boas condições de mercado, confiança dos produtores e modernização do setor.
As informações são do Dairy Herd Management.