A evasão dos produtores da atividade leiteira, movimento observado com mais ênfase desde 2000, continua. Atualmente, cerca de 800 mil pecuaristas respondem pelo setor, dos quais, menos da metade trabalha com algum tipo tecnologia, diz o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez, entidade que representa os produtores. Há cinco anos, o número de pecuaristas era 50% maior, de 1,2 milhão produtores.
Os altos custos de produção não compensam a remuneração paga ao produtor, segundo o diretor-executivo da Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios (CBCL) e membro da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Paulo Bernardes. As margens apertadas desestimulam a atividade. Os preços do litro pagos ao produtor ficaram em R$ 0,3664 em julho, valorização de 32% desde o início do ano. Os custos oscilam entre R$ 0,30 e R$ 0,45 por litro, dependendo da região.
Outro ponto crítico é o baixo uso de tecnologia e as indefinições das normas de produção de lácteos, diz Rubez. "As normas existem, mas o governo insiste em não definir o programa de qualidade, o que deixa o setor em situação delicada". Pelas normas, são estabelecidos os critérios de coleta de leite, com tecnologia e higiene adequados.
Tecnologia atrasada
Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, Marcos Jank, a tecnologia de mecanização de coleta ainda é atrasada no País. "Nos Estados Unidos, o uso desta tecnologia ocorreu nos anos 50 e 60", afirma. "O atraso faz com que o Brasil perca mercado no exterior", diz.
Segundo Bernardes, cerca de 70% das principais empresas de laticínios utilizam coleta mecanizada. A evasão de produtores do mercado formal, mesmo assim, é grande. Entre 1999 e 2001, o número de produtores comprometidos com as 16 principais empresas de lácteos do País, lideradas pela Nestlé e Parmalat, caiu de 141,4 mil para 115,1 mil, recuo de 18,6% no período. A recepção de leite dessas empresas, no mesmo período, subiu de 5,632 bilhões, em 1999, para 6,570 bilhões em 2001, crescimento de 16%.
Aumento de produção
Mesmo com a evasão, a produção de leite tem crescido. Nos últimos cinco anos, a oferta subiu 13% no País, de 18,6 bilhões de litros em 1997, para 21,063 bilhões de litros estimados para este ano, segundo a CBCL. O mercado formal, inspecionado pelo governo federal, respondeu por 13 bilhões de litros no ano passado. O restante é dividido pelo mercado informal, produtos inspecionados pelos estados e municípios.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Mônica Scaramuzzo), adaptado por Equipe MilkPoint
Aumenta a concentração da atividade leiteira
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
QUER ACESSAR O CONTEÚDO?
É GRATUITO!
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
MilkPoint
O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.