Aumenta a concentração da atividade leiteira
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Os altos custos de produção não compensam a remuneração paga ao produtor, segundo o diretor-executivo da Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios (CBCL) e membro da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Paulo Bernardes. As margens apertadas desestimulam a atividade. Os preços do litro pagos ao produtor ficaram em R$ 0,3664 em julho, valorização de 32% desde o início do ano. Os custos oscilam entre R$ 0,30 e R$ 0,45 por litro, dependendo da região.
Outro ponto crítico é o baixo uso de tecnologia e as indefinições das normas de produção de lácteos, diz Rubez. "As normas existem, mas o governo insiste em não definir o programa de qualidade, o que deixa o setor em situação delicada". Pelas normas, são estabelecidos os critérios de coleta de leite, com tecnologia e higiene adequados.
Tecnologia atrasada
Segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) e consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, Marcos Jank, a tecnologia de mecanização de coleta ainda é atrasada no País. "Nos Estados Unidos, o uso desta tecnologia ocorreu nos anos 50 e 60", afirma. "O atraso faz com que o Brasil perca mercado no exterior", diz.
Segundo Bernardes, cerca de 70% das principais empresas de laticínios utilizam coleta mecanizada. A evasão de produtores do mercado formal, mesmo assim, é grande. Entre 1999 e 2001, o número de produtores comprometidos com as 16 principais empresas de lácteos do País, lideradas pela Nestlé e Parmalat, caiu de 141,4 mil para 115,1 mil, recuo de 18,6% no período. A recepção de leite dessas empresas, no mesmo período, subiu de 5,632 bilhões, em 1999, para 6,570 bilhões em 2001, crescimento de 16%.
Aumento de produção
Mesmo com a evasão, a produção de leite tem crescido. Nos últimos cinco anos, a oferta subiu 13% no País, de 18,6 bilhões de litros em 1997, para 21,063 bilhões de litros estimados para este ano, segundo a CBCL. O mercado formal, inspecionado pelo governo federal, respondeu por 13 bilhões de litros no ano passado. O restante é dividido pelo mercado informal, produtos inspecionados pelos estados e municípios.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Mônica Scaramuzzo), adaptado por Equipe MilkPoint
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