Segundo avaliação feita pela Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), em São Paulo, o leite longa vida não é o vilão da crise que acomete o setor em vários estados brasileiros. Segundo a ABLV, as principais causas da queda no preço do leite pago ao produtor são o aumento da oferta e o empobrecimento do consumidor.
Almir José Meireles, presidente da ABLV, contestou as informações de que o leite pasteurizado - vendido na maioria dos casos em saquinhos - tem mais qualidade nutricional que o longa vida e que a caixinha é a grande responsável pelo preço mais alto deste produto. "O longa vida é reconhecido no mundo pelas suas qualidades, além de ser prático e não precisar de refrigeração."
Meirelles negou o monopólio da Tetra Pak na fabricação de caixas para leite longa vida no País, dizendo que as empresas International Paper e Combibloc também são filiadas à associação. Além disso, ele disse que as garrafas podem ser uma alternativa. Meireles garantiu que o preço da caixinha varia de R$ 0,18 a R$ 0,19 e não R$ 0,35, como afirmam os produtores catarinenses. "O problema do leite em Santa Catarina é de oferta, não de embalagem."
Segundo dados da ABLV, o consumo anual de leite longa vida no Brasil chega a 3,6 bilhões de litros, enquanto que o consumo de leite pasteurizado é de 1,6 bilhão.
Além das críticas feitas em Santa Catarina, o setor já enfrentou críticas semelhantes em Minas Gerais, onde também foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para averiguar os motivos da crise instalada no setor leiteiro. A comissão de Minas Gerais vai servir de parâmetro para o grupo catarinense. Para saber os rumos que as investigações dos deputados mineiros tomaram e os procedimentos adotados, representantes devem reunir-se com os integrantes em Belo Horizonte.
CPI do Leite de Santa Catarina: começarão os depoimentos na segunda-feira
Estão definidos os primeiros passos da CPI do leite de Santa Catarina, presidida pelo deputado Moacir Sopelsa. O primeiro depoimento está marcado para segunda-feira, às 15h, na Assembléia Legislativa. Não foi divulgado, por enquanto, quem será ouvido neste primeiro depoimento.
A CPI do Leite catarinense tem 90 dias de prazo - tempo suficiente, segundo Sopelsa, para questionar o que está acontecendo com o leite, da produção à mesa do consumidor. As investigações pretendem apontar os ganhos de cada etapa da cadeia - produtor, indústria e varejo. No Estado, 60 mil famílias são responsáveis pela produção de 2,5 milhões de litros por dia. Grande parte processada em 22 indústrias.
A CPI deverá levantar também duas outras discussões: a obrigatoriedade do leite nacional em programas sociais e a isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no leite longa vida, a exemplo do que acontece no Rio Grande do Sul. Em SC, a alíquota é 7%.
Além disso, questões como o uso do produto catarinense em programas sociais do governo do Estado, como forma de reduzir os estoques, bem como a questão da qualidade do leite - referente às diferenças existentes entre o leite longa vida e o leite pasteurizado - deverão ser discutidas pela CPI.
Fonte: Diário Catarinense (por Néia Pavei), adaptado por Equipe MilkPoint
Associação de leite longa vida nega que a embalagem seja a grande vilã da crise do leite
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ROGERIO SILVA DE LIMA
TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 04/10/2001
Deveria existir para o longa vida, um controle de qualidade da matéria-prima(evitar que fossem captados "qualquer coisa parecido com leite").
Quem produz UHT não investiu em nada na fazenda, seu custo é bem menor. Seria, então, opção do laticínio: pasteurizar ou UHT e, para o produtor, não teria importância, pois o preço que ele receberia para os dois produtos seria igual, ficando para o consumidor a decisão de qual produto adquirir.
Quem produz UHT não investiu em nada na fazenda, seu custo é bem menor. Seria, então, opção do laticínio: pasteurizar ou UHT e, para o produtor, não teria importância, pois o preço que ele receberia para os dois produtos seria igual, ficando para o consumidor a decisão de qual produto adquirir.

JOSE RONALDO
NITERÓI - RIO DE JANEIRO - ESTUDANTE
EM 26/09/2001
Alguém poderia me explicar por que estão alegando a queda de preço do leite ao produtor por excesso de oferta e ainda continuam importando leite com preço superior ao mercado interno?