Segundo informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina, baseadas na pesquisa mensal de recepção de leite de um conjunto de indústrias que representam 60-65% do total nacional, de janeiro a julho, a produção caiu 14,1% com relação ao mesmo período de 2001. Comparando-se ao mesmo período de 2000, a queda chega a 17,2% e, com relação ao mesmo período de 1999, a queda alcança 23,6%.
A queda de 14,1% está relacionada à redução do número de propriedades leiteiras neste grupo de indústrias (-7,6%) e à menor na produção por propriedade (-7,1%).
Um dos fatores mais preocupantes é a pequena reação que a Argentina vem apresentando à alta estacional dos preços, que começa a ocorrer no mês de julho. Neste ano, os preços aumentaram somente 0,7% com relação ao mês anterior. A isto se soma o fato de que julho foi o mês com a pior queda do ano, com uma redução de 19,2% da produção.
US$ 50 milhões a menos
Como conseqüência da queda dos preços do mercado internacional de lácteos, a Argentina deixou de ganhar US$ 50 milhões com as exportações. O panorama poderia ser totalmente diferente se os preços no mercado internacional tivessem sido mantidos próximos aos valores do ano passado, uma vez que o país apresentou um crescimento de 45,4% no volume exportado de janeiro a julho deste ano.
Segundo a SAGPyA, durante os primeiros sete meses deste ano, a Argentina exportou 116,983 mil toneladas, por um valor total de US$ 179 milhões, o que representou um aumento de 45,4% em volume e 13,1% em valor exportado. Porém, o que não apresentou aumento, ao contrário, apresentou queda, fruto do excesso de oferta no mercado mundial, foram as cotações internacionais. Enquanto nos primeiros sete meses de 2001 o preço médio era US$ 1868 por tonelada exportada, neste ano as vendas alcançaram o valor de US$ 1447 por tonelada, o que representa 22,6% a menos. Considerando as diferenças das médias das cotações (US$ 421) e o volume exportado neste ano, obtemos que o setor leiteiro argentino deixou de ganhar quase US$ 50 milhões por suas exportações.
As cotações foram bastante diferentes de acordo com o destino das exportações de lácteos, considerando que a Argentina exportou 49,12% de seus produtos lácteos ao Brasil e 50,87% ao restante do mundo. Neste contexto, o preço médio dos produtos lácteos vendidos ao Brasil foi de US$ 1279 a tonelada, enquanto o preço médio das exportações para os demais destinos foi de US$ 1625 por tonelada. A queda das cotações internacionais no mercado de lácteos parece finalmente ter encontrado um piso em junho, de forma que, em julho, os preços apresentaram um aumento de quase US$ 50 por tonelada.
Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina teve em julho maior queda na produção de leite do ano
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