"Há um menor nível de negócios no mercado externo e isso é muito significativo. Primeiro, devido a uma diminuição dos preços internacionais do leite em pó e, sobretudo, pelo tipo de câmbio, porque com um dólar valendo menos de 3 pesos mais os impostos, os negócios se complicam. Por isso, o mercado interno é mais conveniente que o externo", disse o tesoureiro da SanCor, Oscar Carreas.
Carreas disse também que não falta leite na Argentina. "Sobra, porque senão, não estaríamos exportando. No país são produzidos 8,2 bilhões de litros de leite e consumidos cerca de 6 bilhões. O que ocorre é que existem negócios e negócios; cada empresa tem que lidar com o dia a dia. O que tem que ser feito é uma adaptação à realidade de cada mercado e fazer o mais conveniente para as empresas".
Diagnóstico da SanCor
"Houve uma quebra no setor leiteiro. Logo após o pico de crise que ocorreu no ano passado, ocorreram algumas coisas importantes. Existem alguns indicadores desta quebra, como por exemplo, a formação da Mesa Leiteira. Houve uma recuperação do preço do leite ao produtor, houve um retorno à rentabilidade, a relação milho-leite foi favorável. Nisto, o tipo de câmbio ajudou, o que fez com que se descomprimisse o mercado interno. Tudo isso levou à mudança do panorama, mas eu acho que recorremos ao caminho mais fácil. Agora, o desafio é nos mantermos e nisso estamos envolvidos com os demais membros do setor, mas há questões que fogem a isso".
Carreas preferiu não fazer um prognóstico sobre o que acontecerá nos próximos meses de 2003, mas disse que acredita que deve ser considerada uma série de questões, tais como o tipo de câmbio e a competição soja-leite. "Se é alto (o câmbio), podemos exportar mais, já que nos sobram 2 bilhões de litros e estimamos que o setor leiteiro crescerá. Por outro lado, cremos que haverá uma recuperação do mercado interno, pela maior atividade econômica no país. Outro fator a se considerar é o mercado externo: hoje já não se alcançam os valores de antes e existe também agora a guerra, já que o Iraque se retirou do mercado, e este país antes era um bom comprador".
Os analistas do setor informam que a forte competição pelo leite que está ocorrendo com as pequenas e médias fábricas leiteiras fez com que a SanCor revisasse seu perfil exportador. Recentemente foi divulgado que um grupo de produtores de Morteros que fornecia leite à SanCor (cerca de 50 mil litros) estão fornecendo agora a duas fábricas (uma de Córdoba e outra de Santa Fé). Além disso, os números dos resultados econômicos não acompanharam o perfil exportador, já que a rentabilidade dos queijos vendidos ao mercado interno contra o leite em pó, vendido ao mercado externo, é muito superior.
O desafio
"O outro desafio é contar com melhor tecnologia para produzir mais e de forma mais eficiente. Nisto, vejo que temos uma grande competição, por exemplo, com a Nova Zelândia, especialmente no que se refere a pastagens permanentes e de baixo custo, a sanidade animal, a robotização das propriedades leiteiras, a obtenção de sólidos do leite nas fazendas. Aqui, nosso desafio é quase sobre-humano. Temos que rearranjar toda nossa história interna para nos preparar para competir".
Fonte: TodoAgro.com, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: SanCor mantém seu foco em mercado interno
Publicado por: MilkPoint
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