Os membros do setor leiteiro da Argentina apresentaram em São Francisco as conclusões tiradas de seis reuniões de produtores realizadas em Santa Fé e Córdoba. O controle da oferta e a busca de um mecanismo que evite a fixação unilateral de preços foram os pontos mais importantes da jornada que contou também com a participação de produtores de La Pampa, Entre Ríos e Buenos Aires.
Ficou claro aos representantes da indústria de lácteos argentina e aos governos das províncias que os produtores não estão mais dispostos a deixar nas mãos das forças de mercado seu destino dentro do setor leiteiro. Esta premissa que tem sido defendida pela produção desde o princípio das discussões nas mesas provinciais que já levam vários meses, foi ratificada nas seis assembléias realizadas pelos produtores em Córdoba e Santa Fé.
"É necessário encontrar políticas anticíclicas para não passar de períodos de escassez a outros de sobre-oferta", concluiu um dos representantes dos produtores de leite argentinos, Néstor Vittori. Outro representante, Carlos Chiavasa, disse que esta medida poderia inclusive favorecer à indústria, ao solucionar o problema da incerteza da produção. Segundo ele, a indústria não tem ajudado a ser mais transparente nem está disposta a compartilhar o negócio.
Porém, a questão do controle da oferta de leite na Argentina hoje é somente uma vontade expressa, uma vez que ainda não foi proposto nenhum mecanismo para que seja implementado este controle. O membro do Centro de Indústrias Leiteiras da Argentina (CIL), Jorge Secco, reafirmou que a indústria tem boa vontade para participar de algum tipo de investigação destes mecanismos de controle. A este respeito, foi dito nas reuniões que o Conselho Federal de Investimentos (CFI) poderia financiar com cerca de 60 mil pesos (US$ 16,57 mil) os trabalhos de estudo e investigação para resolver algumas questões técnicas das mesas provinciais, como o controle da oferta.
Além da questão do controle da oferta e da fixação de preços, outros pontos foram levantados nas assembléias pelos produtores de leite argentinos, entre eles uma solicitação das informações sobre a quantidade de propriedades leiteiras que existem hoje na Argentina, quanto produzem e nível de consumo interno. "Em suma, podermos contar com maiores informações sobre o setor. Não sabemos o volume necessário de leite, então não podemos saber como promovermos o manejo da produção", disse o dirigente da mesa cordobesa de produtores, Pablo Martelli.
Frente ao temor de alguma queda nos valores do preço pago ao produtor para a primavera - algo bastante improvável - foi solicitado algum contrato entre indústria e produtor para destinar os excedentes desta estação sob o sistema "facão" e que podem ser liquidados no próximo outono ou quando o contrato o especifique.
Para o futuro ficará o pedido da produção para aumentar o nível de tarifas externas ante a possibilidade de alguma importação e para apoiar o pedido que seria feito via província de Córdoba de negociar que 5% dos impostos às exportações de lácteos voltem ao setor com o fim de melhorar a rentabilidade do mesmo.
Baixar os impostos para o leite?
Um dos pedidos realizados na reunião de São Francisco foi exatamente baixar os impostos para o leite. O secretário da Agricultura da Província de Córdoba, Gumersindo Alonso, prometeu se encarregar do tema, como fez com o amendoim cordobês, cuja taxa para exportação baixou de 20% a 5%.
O setor leiteiro da Argentina necessita urgentemente de mecanismos que permitam competir com outras atividades agrícolas. Para isso, foi solicitado a Alonso que reduzisse os impostos de exportações de lácteos a zero. Por ser uma atividade que gera uma intensa mão-de-obra, o leite poderia ser beneficiado com os mesmos argumentos do amendoim quando o Ministério da Economia do país baixou de 20% a 5% as retenções do azeite de amendoim. Como o azeite de amendoim tem um valor FOB de US$ 570 por tonelada, a redução dos impostos representa para a economia de Córdoba recuperar 14 milhões de pesos.
Em 03/09/02 - 1 peso argentino = US$ 0,27624
3,62 pesos argentinos = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: produtores pediram o controle da oferta
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
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