A distorção econômica pela qual a Argentina está passando, com variações contínuas do dólar "invalida todo tipo de negociação que tenha sido feita no mês anterior", segundo o produtor de leite Gustavo Vionet.
Neste sentido, o produtor disse que a "produção leiteira está passando por um momento muito difícil, porque tem que fazer frente a dois fatores: os insumos dolarizados e o índice inflacionário, que complicam cada vez mais o trabalho no campo. Além disso, os alqueires de terra estão começando a subir fortemente em função dos preços agrícolas que se encontram dolarizados e isto atenta contra as atividades pecuária e leiteira, que não se puseram ao mesmo nível de variação que tem sofrido a moeda norte-americana".
Vionet disse que, caso não seja encontrada uma solução, entre agosto e setembro, muitos produtores se inclinariam para a agricultura ou restringiriam suas estruturas destinadas especificamente à atividade leiteira.
Os produtores estão hoje pedindo pelo menos 10 centavos de dólar pelo litro de leite de junho; apesar da maioria das empresas já ter oferecido um valor que não supera os 30 centavos de pesos (8,47 centavos de dólar).
Se o preço do leite na Argentina não melhorar, a produção leiteira continuará caindo. Esta queda poderá chegar a 25% com relação ao ano de 2001. Apesar de não existirem informações oficiais com relação à quantidade de propriedades leiteiras que deixam de funcionar na Argentina, sabe-se que todos os dias há o fechamento de propriedades, bem como a redução dos rebanhos, porque muita gente está vendendo animais para pagar suas dívidas.
O drama dos insumos
Ao se referir à resolução conjunta 143 e 24/2002, que estipulam como as dívidas por insumos deveriam ser pagas, Vionet destacou que "isto vai prejudicar os produtores leiteiros. Estamos pagando dívidas dolarizadas, onde o componente importado destes insumos só chega a uma porcentagem de cerca de 20%".
No entanto, o governo argentino vem negociando com os fornecedores desses insumos valores que beneficiem a este grupo de empresas, gerando mais prejuízos aos produtores de leite.
O presidente da Federação dos Centros Produtores de Leite (Fecet), Gustavo Colombero, disse que esta regulamentação é outro golpe que o Estado está dando na produção. "As negociações que estavam sendo feitas entre as entidades e as empresas fornecedoras até agora eram mais razoáveis que isto".
Segundo Vionet, o grande problema está no fato de que o dólar sobe dia a dia, e os produtores cobram a prazo. Sendo assim, quando recebem o dinheiro, o valor que obtêm não corresponde aos insumos que eles têm que pagar.
Ao pedido para que o preço do leite produzido em junho seja 10 centavos de dólar, os produtores somam sua reclamação para obter um encurtamento dos prazos de pagamento, a implementação de um sistema de fixação de preços e de um mecanismo de regulamentação da oferta leiteira que evite a crise de superprodução. Além disso, eles solicitam transparência na cadeia de valor láctea a partir da execução das atividades dos laboratórios arbitrais para a determinação de condições e qualidades da matéria-prima.
Diagnóstico incerto
Colombero disse que "o diagnóstico é bastante negro e incerto, já que os preços não são o que realmente o produtor está necessitando. Os produtores somente se darão conta disso quando tiverem que implementar pastagens para seguir com a produção leiteira, e isso ficar muito caro". Neste contexto, Colombero afirmou que os produtores que estão em condições de dedicar-se a outra atividade vão fazê-lo, porque estão vendo como, dia a dia, o setor de lácteos argentino está se deteriorando.
Normas de qualidade do leite
Representantes da produção e da indústria leiteira das províncias de Córdoba e Santa Fé aprovaram os parâmetros de padronização da qualidade do leite, que serão utilizados pelas partes para a fixação dos preços no setor.
A ata foi firmada na quarta-feira em São Francisco, durante uma reunião plenária da comissão interprovincial leiteira que presidiram os secretários da Agricultura de Santa Fé e Córdoba, Oscar Alloatti e Gumersindo Alonso.
As comissões técnicas recomendaram, por sua vez, a criação de um registro provincial da atividade leiteira, com indicadores atualizados do setor. A estatística permitirá conhecer a quantidade de estabelecimentos, o número de vacas e os níveis de produção e, eventualmente, utilizar esta informação para regular a oferta de leite e assim, evitar quedas pronunciadas nos preços. Para isto, "será necessário ditar resoluções oficiais", disse Alonso.
Com relação à solicitação de 10 centavos de dólar o litro do leite, a indústria de lácteos argentina discutiu a queda do mercado interno e a próxima safra brasileira, que reduziria a demanda do país vizinho.
Fonte: El Litoral, La Opinion - Rafaela e La Voz del Interior - Córdoba, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: produtores pedem 10 centavos de dólar pela produção de junho
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