Argentina: produtores e indústrias chegam a um acordo

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores e as indústrias do setor leiteiro das províncias argentinas de Santa Fé e Córdoba, que compõem a principal bacia leiteira da América Latina, chegaram finalmente a um acordo que irá garantir o desenvolvimento normal da atividade, com o preço base de 24 centavos (US$ 0,076) por litro para a produção do mês de abril - aumento que não será refletido aos consumidores -, e uma redução substancial nos prazos de pagamento desta produção.

Na província de Buenos Aires, até segunda-feira passada, os produtores de leite não tinham chegado a uma decisão com relação a esse valor mas, segundo explicou o vice-presidente da Confederação das Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), Jorge Asurmendi, este preço - de 24 centavos - será acatado, "apesar de estar abaixo do que necessitamos para cobrir os custos".

Segundo o dirigente, os produtores de Buenos Aires reivindicam um preço entre 25 e 26 centavos (US$ 0,079 e 0,082) o litro, para tentar cobrir o custo de produção de 30 centavos (US$ 0,095) o litro. "As propriedades leiteiras estão fechando e o abastecimento de leite para o inverno corre riscos", ressaltou.

O acordo fechado em Córdoba e Santa Fé, segundo informado por porta-vozes de ambos os setores, predispõe as partes para um acordo definitivo sobre o preço da produção, o controle da oferta e a aplicação de tribunais arbitrais.

O preço do leite entregue às indústrias aumentou, então, 4 centavos (US$ 0,012) por litro com relação ao preço da produção de março. O prazo de pagamento se reduziu de 75 para 35 dias.

Os produtores conseguiram impor sua opinião em relação às posições dominantes do mercado. Em alguns trabalhos realizados pela Sociedade Rural de Rafaela, Santa Fé, foi demonstrado que a participação dos produtores de leite no valor final do produto era muito pequena, comparando-se com a da indústria e do supermercado.

No entanto, antes de se chegar a este acordo, os produtores de leite argentinos bloquearam as usinas leiteiras a fim de evitar a saída de produtos frescos para as gôndolas dos grandes centros urbanos, durante a primeira semana de março. No protesto, os produtores optaram por distribuir o leite aos necessitados ao invés de vendê-lo, uma atitude que teve um forte impacto na opinião pública. De agora em diante, segundo os produtores, qualquer conflito será resolvido na província, e não será nacionalizado, "como pretendia impor o Centro da Indústria Leiteira (CIL)", que agrupa as principais indústrias com forte inserção no mercado de Buenos Aires.

O acordo sobre o preço base foi alcançado em uma reunião de todos os membros do setor, que contou com a presença dos secretários da Agricultura de Santa Fé, Oscar Alloatti, e de Córdoba, Gumersindo Alonso. A reunião foi realizada em São Francisco, município da província de Córdoba.

"Apesar deste preço (24 centavos o litro) não melhorar a rentabilidade dos produtores, que vinham solicitando o aumento do preço para 30 centavos o litro, pelo menos aproxima um pouco mais as partes e nos permite seguir conversando nos próximos meses", disse Gustavo Colombero, chefe da Federação dos Centros Produtores de Leite de Santa Fé. "O importante é continuar dialogando, mesmo que ainda faltem alguns aspectos para ser resolvidos", concordou Alloatti.

O acordo entre os produtores e as indústrias de leite da Argentina foi alcançado após muitas reuniões. Os produtores já tinham advertido que, se a situação não melhorasse, provavelmente não haveria leite para ser processado pelas usinas no inverno.

O secretário da Confederação das Associações Rurais da Terceira Zona (Cartez), José Castellano, disse que as partes concordaram em fixar um preço de 24 centavos o litro do leite para abril, com uma oscilação de 8%, que poderia ser acima ou abaixo, de acordo com os componentes de qualidade do produto.

Castellano disse também que os representantes de ambas as províncias, que concentram 66% da produção de leite da Argentina, iniciaram uma nova rodada de consultas para fixar o preço correspondente a maio. Apesar do acordo alcançado, ainda resta conhecer os valores para o leite de qualidade diferenciada.

A Argentina conseguiu obter, nos últimos 11 anos, um crescimento exponencial, tanto da produção leiteira, como dos níveis de qualidade do produto. Atualmente, cerca de 17 mil produtores de leite repartem sua produção diária em cerca de 700 indústrias processadoras, e mantêm quase 2 milhões de vacas sendo ordenhadas. Cerca de 4 milhões de hectares do território argentino são destinados à produção leiteira, e são gerados cerca de 8 bilhões de litros anuais, sendo que já foram obtidos picos de 10 bilhões de litros.

Fonte: La Nación (por José E. Bordón), adaptado por Equipe MilkPoint
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