A cooperativa de lácteos mais importante da Argentina, a SanCor, informa que a crise mais profunda que o país já passou nas últimas seis décadas pegou a cooperativa a poucos dias de firmar um ambicioso acordo de fusão com a Milkaut e de reestruturação financeira. Com a suspensão da operação e o desaparecimento do crédito no país, o aumento dos pagamentos aos fornecedores e produtores foi o segundo golpe que a cooperativa teve que enfrentar nos últimos meses.
Neste contexto, o presidente da SanCor, Miguel Altuna concedeu uma entrevista para o portal Infortambo, que está resumida abaixo:
I - Como está a situação atual da SanCor?
MA - Estamos muito melhor. A cooperativa gera um caixa que permite seguir produzindo. Operacionalmente hoje estamos com números positivos e empenhados em cumprir o plano de negócios que contempla uma reestruturação financeira assim como a renegociação com os bancos para normalizar a dívida; um plano comercial, onde as exportações que hoje alcançam 45% tenham um papel preponderante e onde também se trabalhe em modificar o mix de produtos no mercado interno.
I - Qual será a estratégia da SanCor em um mercado tão recessivo como é o interno?
MA - Mais que a recessão por si só que, obviamente, é importante, o que mais está afetando hoje a indústria é a informalidade. Não podemos competir com as fábricas, especialmente de queijos, que não pagam impostos, que não respeitam os convênios coletivos de trabalhos e que nem sequer trabalham sob o código bromatológico. Seguiremos trabalhando no mercado interno basicamente naqueles produtos que agregam valor, pensando no cliente e ressaltando nossa qualidade.
I - E no caso do mercado internacional?
MA - Aí está a chave, ou seja, estarmos atentos para adequar-nos a uma tendência que vem ocorrendo, que é a "descomoditização" dos produtos lácteos. A SanCor tem um caminho feito através da associação com outras cooperativas do mundo. O exemplo mais forte é com a Arla Foods, que nos permitiu agregar valor a um produto que, na Argentina, é sub-utilizado. Por isso, não podemos deixar de aproveitar as oportunidades de trabalhar com outras empresas. Devemos aproveitar o melhor de cada caso.
I - Foi calculado qual é o preço que deveria ser pago ao produtor para que a atividade seja rentável?
MA - Creio que hoje é muito complicado calcular este preço, uma vez que não temos um país estabilizado que permita aplicar uma metodologia precisa, já que os preços relativos têm variado significativamente. Porém, eu faço uma conta. Hoje, produzir 500 litros de leite por hectare total e por mês é altamente provável, porque estamos falando de retirar pouco mais de 16 litros por dia por hectare. Isto significa 6 mil litros por ano que, considerando um preço de 30 centavos (8,54 centavos de dólar) o litro, dá uma renda bruta de 1800 pesos (US$ 512,82) por hectare. Ao se comparar com a soja, apesar do leite estar exposto ao risco de inflação pelo tempo de cobrança - hoje muito baixo -, estamos falando que, para igualar esta renda deveríamos colher 30 quintais (cerca de 1762,7 quilos) por hectare. Isto sem considerar as receitas com venda de vacas e novilhas que existem em uma propriedade leiteira, o rendimento médio, que está muito abaixo dos 30 quintais, e o maior risco climático que esta atividade tem nos anos.
Em 21/11/01 - 1 peso = US$ 0,2849
3,51 pesos = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Síntese da entrevista realizada para o Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: Presidente da SanCor explica como a cooperativa prepara sua reestruturação e alerta para o risco da informalidade
Publicado por: MilkPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
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