Apesar da crise econômica, da falta de leite e da alternativa de exportação, bem como dos demais fatores que estão atualmente influenciando o setor leiteiro argentino, os preços médios dos produtos lácteos nas gôndolas dos supermercados continuam muito altos. Paradoxalmente, enquanto os produtores e as indústrias lutam duramente por cada centavo para garantir sua sobrevivência, os preços nas grandes redes de varejo da Argentina continuam bastante firmes.
Os queijos são os produtos que estão apresentando maior diferença de preços. Enquanto na saída da fábrica o queijo cremoso está com um preço entre 3,25 e 3,65 pesos (US$ 0,89 a US$ 1), nos supermercados é possível encontrar o mesmo produto com preços entre 5 e 7 pesos (US$ 1,38 a US$ 1,93), sendo que, em ambos os casos, os valores não incluem o Imposto ao Valor Agregado (IVA).
As margens, que nos queijos frescos ficam entre 53% e 90%, aumentam com os queijos semiduros e duros. No caso dos queijos semiduros, as margens se encontram em torno de 77% e 112%, considerando os preços de fábrica (sem IVA) entre 4,5 e 5 pesos (US$ 1,24 e US$ 1,38) e, no varejo, entre 8 e 10,6 pesos (US$ 2,20 e US$ 2,92). No caso dos queijos duros, as diferenças são ainda maiores, com margens entre 86% e 140%, considerando os preços de fábrica (sem IVA) entre 5 e 6,5 pesos (US$ 1,38 e US$ 1,79) e, no varejo, entre 9,3 e 14,5 pesos (US$ 2,57 e US$ 4).
Segundo um funcionário de uma importante empresa de lácteos da Argentina, as altas margens nos queijos podem ocorrer devido ao fato destes produtos se constituírem - diferentemente dos chamados produtos estratégicos, como a carne -, em produtos com os quais os supermercados aumentam a rentabilidade do negócio.
Preços firmes
Considerando que, em termos de volume, os queijos constituem o primeiro destino do leite processado argentino - em 2000, os queijos absorveram 46% da matéria-prima, é importante monitorar os preços que estes produtos são comercializados no mercado interno do país.
Segundo Néstor Zanotti, da Lácteos Ausonia, uma companhia de Córdoba formada por sete famílias de produtores de leite, as razões da firmeza do mercado (pouco usual para o mês de agosto) está na "falta de expectativa de aumento da produção". Para ele, embora as propriedades leiteiras do país não tenham deixado de produzir, vêm apresentado uma redução na área dedicada à produção de leite para dedicar à produção agrícola, apesar de não ser uma região apta para isso.
Na última semana de julho, os preços dos queijos nas fábricas voltaram a se fortalecer. Sendo assim, quando questionado sobre a possibilidade que o mercado tem de remunerar melhor o produtor de leite, Zanotti disse que "para poder pagar, por exemplo, 36 centavos (9,94 centavos de dólar) ao produtor, o queijo cremoso deveria ser vendido a 4,2 pesos (US$ 1,16) pelo menos".
"Enquanto o leite duplicou seu valor, os queijos tiveram aumentos no atacado de apenas 50%", disse o integrante da Cooperativa de Castelli, em Buenos Aires, dedicada à produção de queijos, Esteban Biedma. Para ele, o preço dos produtos lácteos no atacado teria que subir pelo menos 10%, para que o valor pago ao produtor pudesse atingir 35 centavos (9,66 centavos de dólar).
Para a maioria das fábricas consultadas, apesar de existir incerteza com relação ao mercado de queijos na Argentina nos próximos meses, não há indicativos de que haverá uma queda nos preços desses produtos no varejo, apesar da debilidade do consumo.
Em 14/08/02 - 1 peso argentino = US$ 0,27624
3,62 pesos argentinos = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)
Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: preços de produtos lácteos no varejo estão altos
Publicado por: MilkPoint
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