Os sonhos de uma fusão com a SanCor foram adiados quando a crise financeira e econômica pulverizou as esperanças de qualquer investimento em solo argentino. Como grande parte das empresas do país, a Milkaut, a terceira em importância da Argentina, foi arrastada a uma situação terminal, onde os associados questionaram a viabilidade de uma cooperativa que, em seus 77 anos de existência, tinha sido modelo para o país.
"Gerar confiança leva anos e esforço e, no entanto, se pode perder em um dia", disse o presidente da cooperativa, Miguel Benvenutti. "Hoje queremos nos recuperar e redefinir a empresa".
O relançamento da Milkaut é, de alguma forma, voltar a suas origens. A busca por ser uma empresa regional com projeção nacional foi abandonada pelo novo objetivo de consolidar sua posição regional e fortalecer um perfil exportador.
O pefil exportador, na verdade, sempre fez parte da Milkaut. Para se ter uma idéia, enquanto a Argentina exportava historicamente 10% de sua produção, a Milkaut duplicava esta proporção. "Em junho, exportamos 48% de nosso leite". A Milkaut também ampliou seus destinos. Hoje está exportando ao Brasil, ao México, ao Japão, à Nigéria, ao Senegal, ao Chile e aos Estados Unidos, entre outros. Este novo perfil tem levado a uma forte reestruturação, principalmente nas áreas comercial e industrial.
A nova estrutura implica "concentrar os esforços comerciais na região e abandonar zonas como o sul da província de Buenos Aires, Patagônia e Cuyo, entre outras", explicou Federico Eberhardt, o novo gerente geral da empresa. "Inclusive, estamos reformulando a distribuição na capital federal".
Novos ares
As mudanças também ocorreram nos produtos da Milkaut. A firma irá manter seu foco em somente 100 dos 250 produtos que anteriormente comercializava, abandonando segundas e terceiras marcas, como Fransafé, entre outras.
Esses novos ares têm a intenção de revitalizar a relação sócio-cooperativa que foi afetada a tal ponto que, em fevereiro, a remissão de leite tinha chegado a 580 mil litros diários, 40% a menos do que no passado. "A recuperação da confiança também passa pelo preço e pelo prazo", afirmou Benvenutti. "Reduzimos dos 180 dias de outubro para 27 dias em maio".
Atualmente, a remissão de leite vem se recuperando. A Milkaut recebe de 700 produtores um volume diário de 700 mil litros de leite. Em maio, a empresa pagou, em média, 26,5 centavos (US$ 0,0742) o litro, com máximo de 30 (US$ 0,084).
Ao revitalizar a relação com o sócio, a Milkaut voltou às fontes do sistema cooperativo. Foram tomadas medidas para que os produtores tenham um suplemento de qualidade, preço acessível e financiamento, e se retomaram as vendas de produtos veterinários aos sócios, a fim de aproveitar a estrutura da cooperativa, que pode comprar "volume" para conseguir produtos a preços menores.
Fonte: La Nación (por Eugenio Scala), adaptado por Equipe MilkPoint
Argentina: Milkaut fortalece seu perfil exportador
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