Argentina: indústrias leiteiras definem posição; produtores reagem

Publicado por: MilkPoint

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As indústrias leiteiras da Argentina se reuniram em Santa Fé com o ministro da Agricultura da Província, Ricardo Fragueyro e o secretário de Políticas Leiteiras, Juan Linari, para quem expuseram sua visão da realidade do setor. A reunião foi encabeçada pelo representante do Centro de Indústrias Leiteiras (CIL), Osvaldo Capellini.

No encontro, as indústrias deixaram claro até onde chegarão e qual será o avanço permitido às outras partes do setor leiteiro, envolvidas no conflito.

"Tivemos um outono complicado, inundações e outras coisas que obrigaram a indústria a pagar um preço alto, portanto, a indústria tem muita intenção de se organizar junto ao produtor, mas se temos a condição de não baixar os preços, temos um problema. Em junho tínhamos o preço histórico mais alto", disse Capellini.

Com relação ao alto custo dos produtos lácteos nas gôndolas dos supermercados, tema que não poderia faltar, Capellini disse que a matéria-prima - o leite - tem apresentado um grande aumento de custos, diretos e indiretos. "Eu acho que as margens são altas, mas não nos enganemos, os preços são altos porque os custos são altíssimos".

"Nós temos dito que, diante da ameaça de um conflito, a indústria não se reúne para negociar nada; não pode haver acordo quando previamente uma das partes diz que, se não lhe dão o que pedem, vão partir para a força. Nós, em um marco de organização e respeito, estamos de acordo em conversar, caso contrário, não".

Capellini foi questionado se, após um ano de encontros entre as partes na cidade de São Francisco, houve alguma mudança, para o que ele respondeu que, "em São Francisco, conseguimos acordos importantes do tipo técnico. O que não se conseguiu são os pontos levantados por alguns dirigentes que queriam conseguir um mecanismo milagroso que assegure o sistema de fixação de preços. Nós temos dito como indústrias que a produção nos apresente algum sistema alternativo de fixação de preços e, até agora, não recebemos nenhuma proposta".

"Acreditando que se podem fixar preços ignorando a realidade do mercado, estamos diante de um problema; o que temos que assegurar é um mecanismo que nos garanta transparência e previsão".

Produtores de leite realizarão assembléias em frente a fábricas

Os produtores de leite das províncias de Santa Fé, Córdoba, Entre Rios, Buenos Aires e La Pampa disseram que vão iniciar nesta semana uma rodada de assembléias em frente às indústrias lácteas para protestar contra a baixa no preço do leite.

Os representantes dessas cinco províncias decidiram isso após a reunião que mantiveram em Buenos Aires, na sede da Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap). Os produtores decidiram pelo conflito após saber da postura manifestada pelo setor industrial através dos porta-vozes do CIL, que ratificaram o ajuste no valor da matéria-prima.

O presidente da Mesa de Produtores de Leite de Santa Fé, Roberto Socín, explicou que os produtores estavam dispostos a seguir os caminhos do diálogo, mas mudaram de posição quando conheceram as declarações realizadas por Oswaldo Capellini.

Socín assegurou que a reunião da produção "vinha pelas vias normais, manejando a estratégia para a reunião da próxima quinta-feira com o Governo, até que recebemos um fax com as declarações do presidente da CIL que mudou totalmente os ânimos e o rumo das decisões".

O produtor considerou que Capellini e, através dele, o setor industrial, "demonstrou uma postura muito dura. Estão dizendo agora que a produção é a culpada e cremos que não é assim", disse Socín, que considerou que o conflito foi instalado pela indústria para baixar o preço da matéria-prima e tentar aplicar o ajuste de maneira retroativa ao leite que os produtores entregaram durante o mês de julho.

Socín ressaltou que as Mesas de produtores leiteiros das cinco províncias decidiram manifestar sua desconformidade com a postura das indústrias "através de assembléias que se realizarão frente a diferentes fábricas". Ele disse também que a medida, que foi consenso entre os produtores, consiste em realizar "assembléias de produtores frente às fábricas com entrega de documentos nas quais rechaçaremos a baixa do preço e a postura das indústrias". Ele disse também que essas assembléias não incluirão o bloqueio da saída de produtos, já que somente serão "assembléias de protesto".

Os dirigentes já combinaram o momento e os lugares de concentração dos produtores para os primeiros dias desta semana. No entanto, estas informações não foram divulgadas. Socín disse que a produção continuará se esforçando para resolver este assunto através de diálogo, para que o conflito não aumente.

Fonte: Diario Castellanos (www.castellanos.com.ar) e La Opinion de Rafaela, publicado em Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
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