Argentina: exportações de lácteos alcançam 50% a mais que em 2001

Publicado por: MilkPoint

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Apesar da falta de créditos, da queda nos preços internacionais e da forte baixa na produção nacional, as exportações argentinas de lácteos se mantêm firmes. Segundo dados divulgados pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina, foram exportadas 152,546 mil toneladas de produtos lácteos de janeiro a setembro deste ano o que representa 50,2% a mais do que o volume exportado no mesmo período de 2001 - 101,537 mil toneladas.

Estima-se que nos oito primeiros meses de 2002 foi destinado ao mercado externo 21% da produção nacional, enquanto no mesmo período do ano de 2001, esta relação foi de somente 11%. Se esta tendência se mantiver, é possível que até o final do ano as exportações de lácteos da Argentina superem o volume de 200 mil toneladas, um resultado quase igual ao recorde exportado em 1999, quando foram exportados 2,1 bilhões de litros de leite equivalentes.

Em termos de valor, para o período de janeiro a setembro de 2002, as exportações aumentaram, mas não tão significativamente - cerca de 15,1%, comparado com o mesmo período do ano anterior - como conseqüência da drástica queda das cotações que vêm apresentando uma forte queda desde o final do ano passado. Enquanto em setembro de 2001 os valores médios registrados (medidos como valor total/volume total) eram de US$ 2048, para este ano, para o mesmo mês, a média caiu para US$ 1304 (queda de mais de 36%). No acumulado do ano, o preço médio como valor total dividido pelo volume total alcança US$ 1421, frente aos US$ 1849 no ano passado (23,1% a menos). Isto representa cerca de US$ 80 milhões de perda.

Para o último trimestre do ano, a expectativa é de melhora nos níveis de preço a partir da evolução recente do mercado internacional. Segundo o último informativo feito pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), no final de outubro, na Nova Zelândia a produção de leite está abaixo das projeções para a temporada atual e a expectativa é de um pico de produção menos pronunciado do que no ciclo anterior. Na Austrália, a seca que vem sendo registrada, somada ao aumento dos preços dos alimentos dos animais, leva à expectativa de queda na oferta de leite. Soma-se a estas circunstâncias a melhoria da demanda internacional de leite em pó e a redução dos subsídios da União Européia (UE) para o leite em pó integral.

O leite em pó integral estava a um preço de US$ 1400-1450/tonelada na Oceania no final de outubro, um aumento de 18% com relação ao mês de agosto. Já o leite em pó desnatado estava em torno de US$ 1350-1400/tonelada, o que representa uma alta de 16% sobre o mesmo mês de comparação.

Vendas ao Brasil

Apesar da redução estacional das vendas de produtos lácteos da Argentina ao Brasil, que está começando seu período de safra, e da recente desvalorização do Real, as perspectivas de vendas dos produtos lácteos argentinos no mercado brasileiro continuam sendo favoráveis. Este otimismo por parte dos argentinos se fundamenta na estabilização da produção brasileira e no aumento de seu consumo interno, cuja evidência mais clara está na firmeza do mercado de leite longa vida, um produto que tem se transformado em um valioso indicador da evolução do setor no país vizinho.

As estatísticas do comércio exterior da Argentina comprovam estas afirmações. Durante os primeiros nove meses de 2002, as importações do Brasil aumentaram 36% e 24%, em volume e em valor, respectivamente, com relação ao mesmo período do ano de 2001. Apesar dos dados provisórios das primeiras três semanas de outubro mostrarem uma desaceleração do ritmo de compras - com médias diárias 19% menores em valor com relação às de setembro -, os dados mostram altas de 42% com relação a outubro de 2001.

Neste contexto de expansão das importações brasileiras durante 2002, a participação da Argentina como fornecedor de lácteos cresceu dois pontos percentuais com relação ao ano anterior (45% versus 43% para o período de janeiro a setembro).

Finalmente, os dados provisórios do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) indicam que, em setembro, os volumes exportados aumentaram 39% com relação ao mês de agosto e 141% com relação a setembro de 2001.

Fonte: Informe de Coyuntura de SAGPyA (por Aníbal Schaller), publicado em Infortambo
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