Argentina discute novo mecanismo de fixação de preço do leite
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Desde o começo das reuniões entre produtores e indústrias nas mesas interprovinciais, as discussões sobre a fixação de preço do leite vêm gerando uma grande polêmica e vêm provocando mais desencontros entre ambas as partes. Na reunião do setor ocorrida na quarta-feira passada em São Francisco, a indústria leiteira argentina informou que estaria disposta a trabalhar ou discutir algum documento apresentado pela produção durante a próxima reunião, que ocorrerá em 10 de março.
Para o diretor do Programa Nacional de Política Leiteira da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) da Argentina - que representa o estado nacional nestas reuniões do setor -, Juan José Linari, o setor leiteiro do país começou o ano de 2002 de forma bastante complicada e, hoje, está muito melhor inclusive no aspecto institucional. Segue ele, "o trabalho que está sendo feito, que considero de alta complexidade, é nada mais nada menos que a determinação de um mecanismo institucional para o setor leiteiro, após tantos anos de fracasso neste sentido".
Apesar de admitir que estas discussões são complicadas, Linari disse que acredita que os trabalhos técnicos que têm sido feitos, como as análises da administração e/ou controle da oferta que a secretaria está financiando, bem como o estudo da transparência da cadeia de valores dos produtos lácteos financiado pelo Conselho Federal de Investimento através dos governos das províncias, ajudarão a resolver estas questões.
"Estes dois projetos em curso, que têm uma alta qualidade acadêmica, não devem ser a solução de tudo, mas sim, o ponto de partida para uma discussão séria. Estes projetos têm prazo final para o mês de maio, mas como havia certa urgência em discutir o tema, foi solicitada a possibilidade de trabalhar sobre um sistema alternativo de formação ou fixação de preços sem esperar que estas ferramentas estejam disponíveis. Na reunião passada a indústria informou que está disposta a analisar uma proposta da produção neste sentido".
A distância entre ambas as posições e uma certa intransigência das partes - não houve na última reunião nenhuma figura política representando a indústria - gera algumas dúvidas sobre o futuro das relações e sobre o papel do Estado para reduzir o conflito.
"Efetivamente, os interesses são bastante opostos entre os dois setores e o Estado terá que mediar esta discussão. Porém, eu não acredito que o Governo tenha a fórmula mágica. Por maior que seja a crise do setor, o Estado não tem porque assumir o papel que teve na década de oitenta, no sentido de ter que fixar preços ou coisas do gênero porque está demonstrado que estas medidas não são eficientes, mas sim, que o governo tem que agir firmemente naquelas medidas que sejam necessárias para corrigir distorções que ocorram na cadeia: abuso de posição dominante ou eventuais cartelizações que possam ser detectadas através dos mecanismos que a Secretaria de Defesa da Competição tem".
Fonte: Infortambo, adaptado por Equipe MilkPoint
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EM 21/02/2003