Esta fusão das cinco companhias ajudará no combate à fragmentação da indústria de lácteos saudita. Há atualmente 26 produtoras de lácteos no país e somente duas - Alsafi, propriedade da francesa Danone, e Almarai - têm uma participação significativa no mercado. Estas duas companhias controlam 60% do mercado de lácteos saudita, com outros 25% sendo divididos entre as companhias Nadek e Nada.
A situação para as demais companhias é bastante complicada com os preços do leite caindo mais de um quarto nos últimos 12 meses em virtude da competição no mercado. De maneira geral, a demanda de leite na Arábia Saudita está crescendo somente 4% ao ano - nível mais baixo de todo o Oriente Médio.
No final do ano passado, a previsão era de que pelo menos seis pequenas companhias de lácteos sauditas iriam se unir, mas, apesar das várias conversações referentes a fusões, nenhuma ação real tinha sido tomada até agora.
Muito leite
Entretanto, as previsões de longo prazo não são nada animadoras. Não há consumo suficiente de leite na Arábia Saudita. A indústria de lácteos do país opera com os maiores padrões e está em uma escala impressionante: a fazenda Al-Safi, com cerca de 30 mil vacas leiteiras, é a maior do mundo.

Porém, o grande porte reflete os pesados subsídios de um governo desesperado para estender a confiança econômica do petróleo. No total, mais de 1 bilhão de riais (US$ 266,64 milhões) foram investidos no desenvolvimento de propriedades leiteiras e bilhões a mais foram investidos em outras produções animais e em cultivos agrícolas nas regiões que antes eram desertos. Isto fez com que os produtores de leite sauditas ficassem com uma supercapacidade de produção, apesar das tentativas periódicas de obter mercados de exportação no Oriente Médio.
O setor leiteiro
A Arábia Saudita é auto-suficiente na produção de leite cru. O país não importa leite cru desde a década de oitenta, mas importa leite em pó para reconstituir em leite fluido. Segundo dados de 2000, o país produz cerca de 816 mil toneladas de produtos lácteos por ano desde 1998. A produção total de lácteos apresentou um crescimento de 9% entre 1996 e 1997. A produção de leite cru do país aumentou de uma média anual de 2,04 mil toneladas em 1974-76 para 510 mil toneladas em 1997. Este espetacular crescimento permitiu que o país se tornasse auto-suficiente na produção de leite.
Cerca de 60% de todo o leite produzido na Arábia Saudita é fermentado em um produto chamado laban, similar ao iogurte natural de beber, e 25% é pasteurizado, com o restante sendo processado em iogurtes, cremes e o chamado labneh, um produto fermentado, feito com gordura do leite. O leite e o laban são produzidos de forma integral e desnatado, e comercializados em embalagens de vários volumes. Cerca de 65% do leite fluido produzido é fresco, sendo o restante UHT.
Com relação ao consumo, segundo dados divulgados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos em novembro de 2000, este estava em torno de US$ 1,5 bilhão em produtos lácteos anualmente. Em 1998, o consumo no país era de 630 mil toneladas de leite fluido, um aumento de 2% com relação ao consumo de 1997. O consumo per capita aumentou de 34 quilos em 1975 para cerca de 58 quilos por pessoa por ano em 1995. A preferência entre os adolescentes sauditas, que representam cerca de 50% da população do país, são os leites acrescidos de sabor e os iogurtes. O leite longa vida é preferido ao leite fresco.
Exemplos de alguns produtos da empresa Almarai:


Fonte: BBC News, www.tradeport.org, www.saudiembassy.net, www.almarai.com e www.us-saudi-business.org, adaptado por Equipe MilkPoint