Uma alta nos preços pagos pelo litro do leite aos produtores gaúchos poderá causar um reaquecimento da atividade no Estado. Nos últimos dois anos, a baixa remuneração gerou desestímulo e causou queda na produção. Agora, com o reajuste de valores, ocorrido em função da baixa oferta, existe a expectativa de que muitos produtores retomem a atividade.
"Embora a situação ainda não seja satisfatória, os antigos produtores de leite, que optaram pela soja neste verão, vão poder escolher entre o plantio de trigo e o cultivo de pastagens no inverno", salientou o deputado estadual Heitor Schuch. Ele recordou que em 2001, quando foi instalada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a cadeia produtiva, o preço médio recebido pelo litro do leite variava entre R$ 0,18 e R$ 0,21. Hoje o valor médio é R$ 0,41.
A queda na produção e a baixa no número de agricultores envolvidos na atividade foi significativa, observou o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), Sérgio de Miranda. O Rio Grande do Sul, que contava com mais de 80 mil produtores de leite há cerca de cinco anos, hoje registra menos de 70 mil pessoas envolvidas nessa área.
A produção mensal, que em dezembro de 2001 era de 139 milhões de litros, em dezembro do ano passado foi contabilizada em 122 milhões de litros.
O dirigente acredita que será difícil reverter rapidamente o quadro de desestímulo. "Os produtores venderam ou abateram os animais, diminuíram os investimentos em pastagens e sentem diretamente a alta nos preços dos insumos", ressaltou. Na avaliação de Miranda, o ideal seria que os produtores recebessem pelo menos 50% do valor pago pelos consumidores no varejo.
Atualmente os preços variam entre 35% e 45% do que é pago pelo consumidor. "Os produtores ainda não estão seguros para voltar. Não existe a garantia de preços a longo prazo, ou seja, a certeza de que a produção não vai causar prejuízos", avaliou. Para o assessor do deputado Schuch, Anselmo Piovesan, a retomada da atividade deve demorar pelo menos um ano, já que é necessário repor os plantéis e reorganizar as propriedades rurais.
A cadeia produtiva do leite estará em debate, nesta quinta-feira (10), a partir das 10h, na Comissão de Agricultura da Assembléia Legislativa. Os parlamentares devem discutir com produtores e industriais a elaboração de uma política pública de desenvolvimento da produção e o encaminhamento das resoluções da CPI do Leite. A Secretaria Nacional de Direito Econômico do Ministério da Justiça informou que deve intimar todas as empresas indiciadas pela CPI por crimes contra a ordem econômica. "Queremos saber quando e de que forma esse procedimento será adotado", completou Schuch.
Fonte: Jornal do Comércio/RS, adaptado por Equipe MilkPoint
Alta nos preços do leite pode motivar produtores gaúchos
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