Alta do leite em pó reduz importação

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Depois de bater US$ 1.200 por tonelada em agosto, os preços do leite em pó estão se recuperando no mercado internacional. A cotação média da tonelada do produto integral atingiu US$ 1.758 na União Européia em janeiro, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Para especialistas, as melhores cotações externas podem reduzir as importações brasileiras e garantir preços firmes para o produtor nacional.

Três fatores provocaram o aumento dos preços do leite em pó no mercado mundial: queda da produção na Austrália, corte de subsídios na União Européia e a maior demanda asiática. Segundo o USDA, a Austrália está produzindo 10% a menos nessa safra (que vai de julho de 2002 a junho de 2003) em relação ao ano agrícola anterior. "O país enfrenta uma forte seca, que prejudica as pastagens", explicou o assessor econômico da Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios, Vicente Nogueira.

Para o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Luiz Fernando Laranja, "a alta dos preços internacionais irá dificultar as importações e será um estímulo a mais de aumento dos preços pagos ao produtor". Enquanto o produtor brasileiro recebe hoje R$ 0,45 por litro, o leite em pó importado da Argentina chega ao país a R$ 0,58.

Com a menor oferta do produto, os laticínios acirraram a concorrência e os preços médios do leite se mantiveram firmes mesmo com a entrada da safra em dezembro, segundo a Scot Consultoria. Analistas acreditam em leve queda de preços esse mês. "Com o aumento dos preços no mercado externo, o produtor pode iniciar a entressafra recebendo mais de R$ 0,40 por litro", calcula o vice-presidente da cooperativa mineira Itambé, Jacques Gontijo. "Mas as cotações não devem subir muito na entressafra, pois não é possível repassar o aumento para o consumidor".

Para os laticínios, a reversão da tendência do mercado internacional traz de volta a possibilidade de exportar leite em pó, um plano que tinha se tornado inviável com a queda das cotações. Segundo o presidente da trading Serlac, que reúne Itambé, CCL, Embaré, Confepar e Ilpisa, Alfredo de Goye, estão sendo fechados contratos para o norte da África e o Oriente Médio. "Preços acima de US$ 1.600 por tonelada nos tornam competitivos", afirmou.

Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
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