A Aliança Láctea Global, integrada por produtores do Brasil e outros cinco países, acaba de fazer sua primeira missão técnica, tentando convencer a União Européia (UE) a aceitar a abertura do mercado mundial de lácteos.
Em Berlim, Bruxelas, Paris e Genebra, os representantes da Aliança argumentaram que a negociação global na Organização Mundial de Comércio (OMC) oferece aos europeus a oportunidade de fazer uma reforma de sua indústria láctea a um custo que seria US$ 4 bilhões menos elevado.
Em nome da Aliança Láctea Global, o assessor internacional da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta Ferreira, fez duas apresentações em Bruxelas e em Genebra, usando um modelo econométrico desenvolvido pelo Abare, centro de pesquisa australiano, que considera dois tipos de reformas no mercado lácteo mundial.
Primeiro, pela reforma autônoma na UE, se considera a aceitação da proposta do comissário Franz Fischler de alterar a Política Agrícola Comum (PAC) para o leite: haveria corte nos preços mínimos em 25% para os produtores e aumento de cota de produção de 3,5% em até 2008. A conclusão do estudo é de que a aceitação dessa proposta levaria a uma redução de 22,3% no valor bruto da produção de lácteos na Europa.
A segunda leva em conta a proposta do Grupo de Cairns nos três pilares (corte de subsídios à exportação, de subsídios internos e de tarifas) da reforma global agrícola. Por esta, o valor da produção na Europa seria reduzido em 10,7%. Ou seja, aceitando a negociação na OMC haveria uma espécie de "repartição global do peso" da reforma européia. "Queremos que vocês digam se e onde nossos estudos estão errados", desafiou o ex-diretor-geral da OMC, o neozelandês Mike Moore, que atua como consultor para a Aliança Láctea Global.
Uma vaca européia recebe US$ 2 diários de subsídios, mais do que metade da população mundial sobrevive por dia, segundo a ONG britânica Oxfam. Nada menos de 40% da renda recebida por um produtor europeu vem de subsídios. Nos Estados Unidos, esse percentual é ainda maior, de 51%.
Com o mercado protegido, o preço da manteiga no Japão chega a ser 532% mais caro do que o preço internacional. Na União Européia (UE) o preço do queijo é 172% mais elevado.
Se houver reforma do mercado lácteo mundial, os produtores dos seis membros da ALG poderiam obter renda adicional de US$ 11 bilhões, uma vez que poderiam produzir mais e por preço mais alto. Só os brasileiros poderiam ter renda adicional de US$ 2,5 bilhões, segundo o Abare.
Posição radical
A reação protecionista européia não variou. Em Bruxelas, parlamentares reclamaram que desde a Rodada Uruguai, que esboçou uma tímida liberalização agrícola, a Europa já teria perdido dois terços de seus produtores de leite.
Em Paris, o ministro da Agricultura sequer quis receber os representantes da Aliança Láctea Global, refletindo a posição protecionista mais radical de evitar a discussão sobre abertura de mercados.
A ALG foi recebida pelo diretor-geral da OMC, Supchai, e pelo mediador da negociação agrícola, Stuart Harbinson, com os quais discutiram longamente as propostas do grupo.
Importador líquido
O crescente interesse do Brasil e de outros países em desenvolvimento sobre regulamentações e comércio internacional de lácteos se explica por mudanças na locação e no crescimento da produção global de leite de gado bovino.
Estudos mostram que a produção global de leite pulará de 450 milhões de toneladas por ano (dos quais apenas 7% são exportados) atualmente para 700 milhões de litros em 2020. O grande crescimento de produção e do consumo ocorrerá na Ásia, principalmente na Índia, e na América Latina (+30%).
Fonte: Gazeta Mercantil (por Assis Moreira), adaptado por Equipe MilkPoint
Aliança tenta abrir mercado de lácteos
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