Alagoas: produtores de leite protestam contra baixos preços

Publicado por: MilkPoint

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Cerca de 80 produtores de leite realizaram, no final da manhã de ontem (26), uma manifestação no posto de coleta de leite da Parmalat, no município de Jacaré dos Homens, em Alagoas. Eles ameaçavam interditar o local e manter presos os funcionários da empresa em protesto contra os baixos preços pagos aos fornecedores.

Os ânimos só se acalmaram com a chegada de representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), do Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite) e diretores da indústria.

Uma comissão formada por produtores e representantes de instituições iniciou, no local, as negociações com o gerente do posto da Parmalat, Claudino Amaral, e os diretores da Parmalat de Garanhuns - onde funciona a unidade da multinacional no Nordeste -, Paulo Cordeiro e Silvio Ferreira.

"Apresentamos a proposta de equiparação dos preços com o Sudeste retroativos a 16 de março", antecipou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida. "Eles se comprometeram a dar uma resposta até a próxima sexta-feira (28). A boa vontade impediu o acirramento dos ânimos, por enquanto. Mas, se a resposta for negativa, não só vai causar uma grande frustração, como também uma grande revolta", completou.

A empresa também se comprometeu a voltar a participar das negociações de preço com as entidades representativas dos produtores, a exemplo do que fazem as demais indústrias de laticínios de Alagoas. "Na próxima reunião do setor eles também vão sentar à mesa de negociação . Dessa forma, passaremos a definir um preço mínimo único para todas as indústrias que captam leite no Estado, pois somente a Parmalat é que estava fora dessas discussões", disse.

Os produtores prometem novas manifestações contra a Parmalat e as outras indústrias do Estado se os preços não forem reajustados nos próximos dias.

Produtor reclama da queda no preço e alta dos custos

O setor leiteiro de Alagoas atravessa uma de suas piores crises. Os produtores reclamam do aumento dos custos de produção, provocado pela alta do dólar, e da redução dos preços pagos pela indústria.

Segundo estimativas do Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite), os custos aumentaram mais de 50% nos últimos seis meses, após a sobrevalorização do dólar, enquanto os preços pagos aos produtores recuaram cerca de 10%.

Até novembro, segundo o presidente do Sindileite, Ricardo Barbosa, o preço básico do litro de leite era tabelado em R$ 0,44. "Hoje as indústrias pagam somente R$ 0,40, embora tenham aumentado os preços para o consumidor", desabafou.

A avaliação do Sindileite e da Faeal é de que os preços pagos atualmente não cobrem sequer os custos de produção. "Para produzir um litro de leite, alimentando e cuidando corretamente dos animais, o produtor gasta mais de R$ 0,46. Se continuar assim vamos ficar descapitalizados e a produção de Alagoas vai se acabar aos poucos", argumentou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.

O valor pago em Alagoas, segundo o delegado federal da Agricultura, Domício Silva, é um dos menores do País.

Alagoas tem, segundo estimativas da Faeal, mais de 20 mil produtores de leite em todas as regiões do Estado. A maior concentração está no do agreste e sertão, região conhecida como bacia leiteira, que engloba 18 municípios.

O setor gera aproximadamente 80 mil empregos diretos e indiretos e é responsável por um produção diária de mais de 400 mil litros de leite. A maior parte dessa produção é captada pelas grandes e médias indústrias instaladas em Alagoas (Camila, Valedourado, São Domingos, Parmalat e Batalha).

Fonte: Gazeta de Alagoas (por Edivaldo Junior), adaptado por Equipe MilkPoint
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