Alagoas: produtores de leite protestam contra baixos preços
Publicado por: MilkPoint
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Os ânimos só se acalmaram com a chegada de representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), do Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite) e diretores da indústria.
Uma comissão formada por produtores e representantes de instituições iniciou, no local, as negociações com o gerente do posto da Parmalat, Claudino Amaral, e os diretores da Parmalat de Garanhuns - onde funciona a unidade da multinacional no Nordeste -, Paulo Cordeiro e Silvio Ferreira.
"Apresentamos a proposta de equiparação dos preços com o Sudeste retroativos a 16 de março", antecipou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida. "Eles se comprometeram a dar uma resposta até a próxima sexta-feira (28). A boa vontade impediu o acirramento dos ânimos, por enquanto. Mas, se a resposta for negativa, não só vai causar uma grande frustração, como também uma grande revolta", completou.
A empresa também se comprometeu a voltar a participar das negociações de preço com as entidades representativas dos produtores, a exemplo do que fazem as demais indústrias de laticínios de Alagoas. "Na próxima reunião do setor eles também vão sentar à mesa de negociação . Dessa forma, passaremos a definir um preço mínimo único para todas as indústrias que captam leite no Estado, pois somente a Parmalat é que estava fora dessas discussões", disse.
Os produtores prometem novas manifestações contra a Parmalat e as outras indústrias do Estado se os preços não forem reajustados nos próximos dias.
Produtor reclama da queda no preço e alta dos custos
O setor leiteiro de Alagoas atravessa uma de suas piores crises. Os produtores reclamam do aumento dos custos de produção, provocado pela alta do dólar, e da redução dos preços pagos pela indústria.
Segundo estimativas do Sindicato dos Produtores de Leite (Sindileite), os custos aumentaram mais de 50% nos últimos seis meses, após a sobrevalorização do dólar, enquanto os preços pagos aos produtores recuaram cerca de 10%.
Até novembro, segundo o presidente do Sindileite, Ricardo Barbosa, o preço básico do litro de leite era tabelado em R$ 0,44. "Hoje as indústrias pagam somente R$ 0,40, embora tenham aumentado os preços para o consumidor", desabafou.
A avaliação do Sindileite e da Faeal é de que os preços pagos atualmente não cobrem sequer os custos de produção. "Para produzir um litro de leite, alimentando e cuidando corretamente dos animais, o produtor gasta mais de R$ 0,46. Se continuar assim vamos ficar descapitalizados e a produção de Alagoas vai se acabar aos poucos", argumentou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.
O valor pago em Alagoas, segundo o delegado federal da Agricultura, Domício Silva, é um dos menores do País.
Alagoas tem, segundo estimativas da Faeal, mais de 20 mil produtores de leite em todas as regiões do Estado. A maior concentração está no do agreste e sertão, região conhecida como bacia leiteira, que engloba 18 municípios.
O setor gera aproximadamente 80 mil empregos diretos e indiretos e é responsável por um produção diária de mais de 400 mil litros de leite. A maior parte dessa produção é captada pelas grandes e médias indústrias instaladas em Alagoas (Camila, Valedourado, São Domingos, Parmalat e Batalha).
Fonte: Gazeta de Alagoas (por Edivaldo Junior), adaptado por Equipe MilkPoint
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